4.10.09

Yggdrasil, Mitologia Nórdica


Yggdrasil, mitologia nórdica. Arte de Clare Jones

Yggdrasil (nórdico antigoYggdrasill) é uma árvore colossal (algumas fontes dizem que é um freixo, outras que é um teixo), na mitologia nórdica, que era o eixo do mundo.

Localizada no centro do universo ligava os nove mundos da cosmologia nórdica, cujas raízes mais profundas estão situadas em Niflheim, fincavam os mundos subterrâneos; o tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.

Conta-se que nas frutas de Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por esse motivo ela sempre é guardada por uma centúria de valquírias, denominadas protetoras, e somente os deuses podem visitá-la. Nas lendas nórdicas, dizia-se que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta a vida e apenas um de seus frutos, curaria qualquer doença.

Fonte: Wikipidia

Árvore da Vida, Laila Spinoza

Árvore da Vida, Richard Quinn

Árvore da Vida Céltica, artista desconhecido

Árvore da Vida, Mutt

O Freixo - ou a Árvore sagrada de Yggdrasil
Nas tradições místico-religiosas escandinavas, o freixo Yggdrasil é, por excelência, um símbolo da imortalidade e da ligação entre os três mundos, tanto no Macro como no Microcosmo. Os deuses construtores e guias da humanidade reúnem-se aos pés de Yggdrasil, receptando as gotas de orvalho que brotam do seu topo (o topo do mundo) e promanam a alegria, a fecundidade e a justiça. A sua fronde está eternamente verdescente pois ele retira a sua inesgotável energia da fonte Urd, de cujas águas surgiu o universo. Esta Árvore secará e consumir-se-á apenas no dia em que for travada a última Batalha entre o Bem e o Mal e o primeiro prevalecer, fazendo que a vida, o tempo e o espaço se recolham (no seu periódico acolher) no Seio do Absoluto.

O freixo, de cuja madeira se faziam as hastes das lanças, representa também a própria lança erecta, que rasga o solo, e é veículo de contacto entre o contínuo fluir divino e a recepção terreal 13.

Esta Árvore Sagrada da mitologia dos povos do Norte é, porém, idêntica a outras, de diferentes tradições, no seu profundo e sugestivo simbolismo: a “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” - lado-a-lado com a “Árvore da Vida” - do Jardim do Éden, na tradição judaico-cristã 14; a Árvore Boddhi (ou Árvore Bo, ou a “Ashvatha”) sob a qual Gautama, o Buda, alcançou a Iluminação; a “Pippala”, Árvore do Conhecimento dos Parsis (idêntica à arvore Bo), cujo fruto haoma é, também, o fruto proibido; a Arasa Maram, a Árvore sagrada do Conhecimento, no hinduísmo; as muitas “Árvores da Vida”, como é o caso da cabalística, emblema sacratíssimo do esoterismo Judeu; a “Asherah” assíria; a “Ished” egípcia; o “Palâza (Butea frondosa), de folha tripla, que era um símbolo da essência tripla do Universo: Espírito, Alma e Matéria ou Corpo; a Kian-Mu chinesa, idêntica à Yggdrasil; o Himorogi japonês, etc 15. Tal como no jardim do Éden, temos representadas no homem ambas as Árvores: a da Vida e a da Ciência do Bem e do Mal. A primeira, invertida, no nosso sistema respiratório (brônquios e pulmões) e, a “Norte” 14, a segunda, nas ramificações do sistema cerebral.

Assinalamos um sugestivo “pormenor”: de numerosas variedades de Freixos é exsudada uma substância alimentícia, e com propriedades medicinais e purgativas, denominada maná (do hebreu, manã). Não podemos furtar-nos à memória do episódio mítico do “maná caído no deserto e salvador do povo faminto de Israel, rumo à Terra Prometida”. Nele vemos a alusão ao alimento do Céu superior ou do Manas Superior. Esse Maná é, de facto, libertador… E estamos em crer que, tenha sido tão somente um fluido espiritual ou tenha sido a substância nectarina que promana de muitos dos Freixos, o seu nome, pelos seus místicos efeitos, deve-se à conotação com o Manas sânscrito (a Razão Intelectual, a Mente - justamente, o que confere ao Homem a sua condição de humanidade).

Na Índia, o freixo cresce unicamente nos Himalaias mas apenas acima dos 1300 metros. Dele (Fraxinus Excelsior) se extrai o maná que, fermentado, produz uma bebida usada pelos monges e que, justamente, é identificado ao soma por autoctones hindus (e, pelos iranianos, ao haoma) 16. Era o mesmo Freixo 17 que proporcionava, na Grécia, um licor ambrosino (o kikeon) utilizado nos “Mistérios de Elêusis” 18.

É bastante significativo que o Freixo em inglês tenha o nome de Ash. Na verdade, ash é a raiz de Ashvatha, a Árvore do Conhecimento, por vezes também chamada Bo ou Bodhi, sob a qual Buda dissipou a ilusão e atingiu a Luz. Inquestionavelmente um e outro termos têm relação directa. Ashvatha é descrita com as raízes em cima e os ramos estendendo-se para baixo - a copa tipificando o mundo exterior dos sentidos (i.e., o universo visível e sensível) e a Roda infindável dos Renascimentos (a corrente de Samsâra), e as raízes, nas regiões celestes, simbolizando o Ser Supremo, a Causa Primeira, a Raiz do Cosmo 19. Nas Escrituras hindus é tida como “símbolo da vida e da ilusão das suas alegrias e prazeres”; e cada homem tem por missão penetrar fundo dentro dela, passar além dos seus ramos e, atingindo o topo das suas raízes, visionar e conquistar a Luz da Realidade. Curiosamente, o termo Ash, em hebraico, significa Fogo, tanto o fogo espiritual quanto o físico (o “Ash Metzareph” era um importante tratado cabalista cujo nome tinha por significado “O Fogo Purificador”) 20.

Outras referências, igualmente curiosas, a frutos, proibidos ou reservados para os heróis, encontram-se, nomeadamente, nas múltiplas menções ao poder encerrado na maçã: a maçã que Eva ofereceu a Adão…; os “Pomos de Ouro” do Jardim das Hespérides 21; e, no Zohar, podemos ler o seguinte: … “mercê deste orvalho, se nutrem os Santos Superiores. No mundo vindouro formará o maná dos justos. Esse orvalho cai no Jardim das Maçãs Sagradas….”; também o Mago Merlim, da lenda do Rei Artur, ensinava debaixo de uma macieira na Ilha de Avalon (em celta, chamada o Pomar das Macieiras). Na verdade, é pertinente observar que o coração das maçãs configura “uma flor de 5 pétalas” ou “uma estrela de 5 pontas”, dividindo-se em 5 pequenos alvéolos dentro dos quais se ocultam as sementes. E 5 é o “número do homem”, o número dos graus ou Planos que o Homem domina (no Grande Todo Septenário) - o 5o Princípio é Manas. A maçã, com propriedade, pode ser considerada como o fruto do “Conhecimento do Bem e do Mal”. Por último, destacamos uma significativa alegação da Filosofia Esotérica: Jambu (termo sânscrito) é uma das principais divisões do globo, no sistema purânico, que inclui a antiga Índia como berço da 5a Raça, ou Ariana. Significa “Terra das maçãs rosadas” 22. Num sentido mais vasto, é o nome do nosso Globo, separado dos outros seis que, com ele, conformam a nossa Cadeia Planetária. E esta Tradição, pela longevidade incomparável dos seus registos escritos, é obviamente a raiz de todas as demais tradições de Paraísos terreais, de Berços da Humanidade, de sonhos heróicos de Regresso às Origens, empossados na forma de miríficos “Jardins onde abundam Maçãs de Ouro”…

Não resistimos aqui a fazer um pouco de humor: até a célebre maçã de Newton foi, de facto, a maçã da “iluminação”!!!

Fonte: Biosofia


30.9.09

Hapshash and the Coloured Coat

Poster for Pink Floyd at the CIA-UFO club, July 281967, by Hapshash and the Coloured Coat.

Hapshash and the Coloured Coat were a British graphics team in the 1960s, consisting of Michael English and Nigel Waymouth, that produced psychedelic posters.

They designed usually brightly coloured images with a strong art nouveau influence from Alfons Mucha of swirling lines and curving shapes. Posters were used to promote appearances by major bands of the time such as the Pink Floyd and The Incredible String Band, as well as singers such as Julie Felix, mainly for the UK underground UFO Club.

English and Waymouth met in late 1966. Waymouth had just opened London's first psychedelic boutique, Granny Takes a Trip, in the Kings RoadChelsea. They worked together initially and very briefly under the name Cosmic Visions (producing only one poster) and then Jacob and the Coloured Coat (producing two posters), before settling on Hapshash and the Coloured Coat. Their posters were printed and distributed by Osiris Visions, a division of the underground press publication International Times. The duo also provided illustrations and posters for several editions of the London Oz.

They also released an album, titled Hapshash and the Coloured Coat Featuring the Human Host and the Heavy Metal Kids in 1967, and a second one, Western Flier, in 1969. By this time English had left, and Waymouth strangely is mentioned in the liner notes as having decided to "record" the album, but not listed as one of the musicians.


A. Mucha

29.9.09

Thomas Berry - Da Religião à Ecologia


Os livros de Thomas Berry, pensador americano que faleceu em agosto passado, inspiraram acadêmicos e ambientalistas a explorar a interligação da religião, da natureza humana e da ecologia. Apesar da ter formação católica e ser especialista em tradições religiosas, Berry preferia não ser designado como padre, mas antes de cosmólogo e “acadêmico da Terra”. Na verdade, largou a vida monástica para se dedicar ao estudo da História das Religiões e da Cultura.

Nos anos 80, escreveu uma série de livros onde relacionava a evolução cultural e espiritual com a história natural dos planetas e do universo. Michael Colebrook, um especialista da sua obra, explica os elementos chave do seu pensamento (na obra «Thomas Berry, Geologian»).

Primeiro, Berry sublinha o lugar primordial do universo: “O universo é a única realidade auto-referencial no mundo fenomenológico. É o único texto sem contexto. Tudo o resto tem de ser visto no contexto do universo". O segundo elemento é o significado da história, em particular do universo enquanto história. “A história do universo é a quintessência da realidade. Nós sentimos a história e organizamo-la na nossa linguagem. Os pássaros e as árvores organizam-na na sua própria linguagem. Tudo conta a história do universo porque esta está impressa em todo o lado e por isso é tão importante conhecê-la. Quem não conhece a história, num certo sentido não se conhece a si mesmo nem conhece nada”.

Thomas Berry foi a primeira e mais importante voz a descrever os resultados da profunda separação entre o ser humano e o mundo natural e do impacto que esse fenômeno tem no futuro da nossa espécie. O cosmólogo acreditava que a humanidade, depois de passar gerações a gloriar-se a si própria e a despojar o mundo, irá chegar a um ponto de equilíbrio e abraçar o seu papel como uma parte vital de algo maior – o Cosmos – onde a interdependência e a comunhão com os outros elementos que o constituem é essencial. O resultado disso será uma nova era, a que ele chama Era Ecozóica.


Da Religião à Ecologia


Thomas Berry foi ordenado padre em 1942 mas prosseguiu a vida académica, doutorando-se na Universidade Católica Americana com uma dissertação sobre Filosofia e História. Em 1948 mudou-se para a China para ensinar na Universidade Fu Jen, de Pequim. Com a ascensão de Mao Zedong viu-se obrigado a voltar para os Estados Unidos apenas um ano depois. Estudou língua e cultura chinesa na Seton Hall University, bem como sânscrito e cultura asiática na Universidade de Columbia. Foi também capelão do Exército norte-americano entre 1951 e 1954, na Alemanha.

Entre 1966 e 1979, ensinou na Fordham University, onde criou um doutoramento em História das Religiões. Alguns dos seus alunos fundaram um movimento focado nos temas da Religião e da Ecologia. Mais tarde, Berry organizou uma série de conferências internacionais com temas bastante provocatórios, entre elas, a que intitulou de «Energia e as suas dimensões cósmico-humanas».

Escreveu dois livros sobre religiões asiáticas – «Buddhism», 1966, e «Religions of India», em 1971. Contudo, tornou-se particularmente conhecido pelos seus livros sobre o lugar do ser humano no Cosmos, como é exemplo «The Dream of the Earth», de 1988. Outro dos seus livros mais conhecidos é «The Great Work: Our Way Into the Future», publicado em 1999.

Postado por Ciência Hoje

Links:
http://www.thomasberry.org
http://www.earth-community.org

22.9.09

BroadBand - Gilberto Gil

BroadBand - Gilberto Gil


- Flash Player Installation


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Gilberto Gil sings "Banda Larga" [Broadband]. Here's Gilberto Gil -- the Brazilian ex-Minister of Culture and world-class musician -- in his kitchen singing his new song called "Banda Larga Cordel" or "Broadband String" just a few hours after composing it. Gil has been actively advocating for open source and open access for several years. This video is part of a general program on his part to make all of his work available for listening and for remixing. This video was shot on a Nokia celly by "cineast" Andrucha Waddington and then YouTubified for general viewing. Posted by José Murilo Junior
David Friedman - Judaism Tree of Life

HOME


We are living in exceptional times. Scientists tell us that we have 10 years to change the way we live, avert the depletion of natural resources and the catastrophic evolution of the Earth's climate. The stakes are high for us and our children. Everyone should take part in the effort, and HOME has been conceived to take a message of mobilization out to every human being.
For this purpose, HOME needs to be free. A patron, the PPR Group, made this possible. EuropaCorp, the distributor, also pledged not to make any profit because Home is a non-profit film. HOME has been made for you : share it! And act for the planet.
Yann Arthus-Bertrand

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PPR is proud to support HOME
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TV Interview with Jonathan Goldman, Santo Daime leader from Oregon

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7.9.09

Metáforas e Arte Simbólica

A Virgem e o Menino com a maçã na mão e a roseira símbolo de pureza. Stefan Lochner


Moisés tem a visão da Virgem com o menino Jesus no arbusto, "a sarça ardente". Nicola Froment

"Uma das coisas em nossas religiões ocidentais é que muitos símbolos foram erroneamente tomados por sinais, e toda a nossa mitologia é vista como uma pseudo-história que, na verdade nunca ocorreu historicamente. E essa é a razão pela qual as pessoas, ao perceberem que aquilo que o símbolo representa não poderia ter ocorrido, perdem a fé e a religião e ficam, de repente, sem o vocabulário de comunicação entre o transcedente e a racionalidade de um ser humano vivente. Joseph Campbell

6.9.09

Joseph Campbell, o evolucionista das religiões


por Luiz Biajoni

Mais do que Darwin, Joseph Campbell (1904-1987) investigou, ao longo de toda sua vida, não a evolução das espécies, mas a evolução das religiões. O resultado mais importante dessa investigação é a obra apropriadamente chamada As máscaras de Deus, dividida em 4 volumes: Mitologia primitiva, Mitologia oriental, Mitologia ocidental e Mitologia criativa. Nela, o pesquisador mostra como nasceram mitos que originaram religiões em todo o mundo, cruza dados e histórias, apontando semelhanças, mostrando onde estão os interesses por trás das religiões enquanto forças sociais e, até onde o vasto conhecimento lhe permite, desvela as metáforas das histórias mitológicas. O mais importante desse trabalho, diz ele, é mostrar para as mentes estreitas que os mitos tendem a se tornar História – e isso é triste. Citando Alan Watts (Myth and ritual in Christianity): “O Cristianismo foi interpretado por uma hierarquia ortodoxa que degradou o mito até convertê-lo em ciência e história. [...] Porque quando o mito é confundido com história, ele deixa de aplicar-se à vida interior do homem.”
Em uma de suas palestras memoráveis – várias reunidas em livros lançados no Brasil –, Campbell conta sobre um trecho do livro sagrado do budismo onde Buda estica uma das mãos e de cada dedo sai um tigre que ataca seus inimigos. Se esse trecho estivesse na Bíblia, com Jesus Cristo como protagonista, crentes iriam jurar de pés juntos que foi assim mesmo que aconteceu.
Segundo Campbell, em todo Oriente prevalece a idéia de que o último plano da existência é algo além do nosso pensamento e nosso entendimento. Sendo assim, podemos acreditar no mistério mas não racionalizar ou querer situá-lo histórica e geograficamente. De maneira que não há o culto como conhecemos no Ocidente. Linhas de pensamento religioso orientais são: “Saber é não saber, não saber é saber” (Upanishad), “Os que sabem permanecem quietos” (Tao Te King), “Isto és tu” (Vedas). Chegar ao outro lado da margem do pensamento para encontrar paz e bem-estar é a finalidade do mito oriental. No mito ocidental existe sempre um criador e uma criatura e os dois não são o mesmo – estão sempre em conflito e sempre há alguém ou algo a atrapalhar, incomodar; um diabo, um extraviado da criação. Diante da pouca importância que o homem tem diante de um Deus tão exigente, ele deve se ajoelhar e servir e não questionar e obedecer a parâmetros sempre ditados por alguma instituição, uma igreja, uma denominação. É uma religião de subserviência, cuja gestão é o conflito e o terrorismo psicológico, imposto pelas lideranças religiosas ou auto-imposto pelos crentes. Para Campbell, “o divisor geográfico entre as esferas oriental e ocidental do mito e do ritual é o planalto do Irã”. O terceiro volume de As máscaras de Deus, que trata da Mitologia Ocidental, escrito em 1964, conta o nascimento da religião muçulmana e como ela cresceu no Oriente Médio, tornando-se ameaçadora para o cristianismo; as tensões que abalavam a ordem cristã que era sustentada por uma mitologia de autoridade clerical.
Talvez esse quadro geral tenha gerado o fanatismo, alimentado pelas lideranças religiosas; e o dinheiro que estas têm pode ter influenciado na ordem social. Campbell, otimista e racional, escreveu: Nenhum adulto hoje se voltaria para o Livro do Gênese com o propósito de saber sobre as origens da Terra, das plantas, dos animais, do homem. Não houve nenhum dilúvio, nenhuma Torre de Babel, nenhum primeiro casal no paraíso, e entre a primeira aparição do homem na Terra e as primeiras construções de cidades, não uma geração (de Adão para Caim), mas milhares delas devem ter vindo a esse mundo e passado a outro. Hoje nos voltamos para a ciência em busca de imagens do passado e da estrutura do mundo. O que os demônios rodopiantes do átomo e as galáxias a que nos aproximam telescópios revelam é uma maravilha que faz com que a Babel da Bíblia pareça uma fantasia do reino imaginário da querida infância de nosso cérebro.
Ele mal sabia que as religiões se fortaleceriam, ganhariam cada vez mais adeptos e fanáticos, se ramificariam e tomariam de assalto a educação, a ciência e mesmo a sanidade racional do homem.
As idéias de Campbell fizeram sucesso nos anos 70, ele se tornou um ícone para os hippies-paz-e-amor pregando (essa não é nem de longe a melhor palavra, mas vou deixar) o compromisso social geral pelo avanço irrestrito da sociedade, com tolerância e respeito ao outro, pela paz e pela metáfora religiosa como elemento de ligação entre o ser e o mistério. Não por acaso, Campbell é o autor que inspirou George Lucas na saga Guerra nas estrelas – e o ponto culminante do primeiro filme, quando Luke Skywalker vai destruir a Estrela da Morte e os equipamentos falham, é a “voz da consciência” do herói que pede que ele não acredite nos aparelhos (assim como não devemos acreditar nas histórias míticas ou no que diz qualquer pretenso salvador) e acredite em si mesmo. As histórias mitológicas – assim como Guerra nas estrelas inaugurou uma mitologia – deviam servir como metáforas para nossas vidas. O problema é que as pessoas não sabem o que é metáfora; acham que uma metáfora é uma mentira. As escrituras sagradas são todas metáforas, mas os religiosos conseguem entende-las apenas como Realidade, e acham que aqueles que não entendem que se trata de Realidade consideram o que está ali escrito, Mentiras. Um radialista uma vez quis pegar Campbell ao vivo nesta encruzilhada e perguntou ao pesquisador o que era uma metáfora. Campbell devolveu a pergunta e o radialista deu um exemplo de metáfora: “Ele corre como um coelho”. Campbell disse que era justamente aí que estava o problema: metáfora seria se se dissesse “Ele é um coelho”. Na afirmação justa de uma realidade improvável, a condenação de um mundo.
As grandes metáforas das religiões não podem ser entendidas como realidade e não podem atrapalhar o avanço científico da sociedade; não podem interferir na paz entre países, nem em angústias para as pessoas; não podem restringir o direito de amar – ora vejam! –, nem provocar ódio. As grandes metáforas das religiões deveriam ser poesias para os ouvidos – mas ninguém quer saber de poesia!

21.7.09

Escola Serra do Papagaio - Vale do Matutu




O dia 11 de Julho de 2009 vai ficar pra sempre gravado na memória dos moradores do Vale do Matutu, Aiuruoca, Minas Gerais. Depois de 2 meses de intensos trabalhos e mutirões, os habitantes do vale viram surgir uma linda escola participativa. Com um projeto inteligente, o prédio da escola tem um belo espaço para apresentações. Sua entrada é ampla com uma grande escadaria que parece se abrir ao mundo. A inauguração foi um grande evento, com discursos emocionados e o hino nacional sendo cantado por todos. O ponto alto foi a participação do quinteto de sopros da orquestra filarmônica de São Paulo e a apresentação do grupo de palhaços Parlapatões.
A Escola Municipal Serra do Papagaio uniu as lideranças e afirmou a importância da interação da comunidade em agir em prol da educação de suas crianças. Como o educador Paulo Freire definiu: "A educação ser um ato político de transformação social". Parabéns a todos que contribuíram para essa realização!

18.6.09

Picasso

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensaremos' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Uma criança que aprende o respeito dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta aonde vive...

14.5.09

Marina: Senado tem responsabilidade de corrigir MP que regulariza terras na Amazônia

Ex-ministra do Meio Ambiente, a senadora Marina Silva (PT-AC) conclamou o país, em seu discurso na vigília em defesa da Amazônia nesta quarta-feira (13), a ficar alerta para proteger a região contra a pressão de grupos empenhados em acelerar a destruição da floresta. Marina, que há exatamente um ano deixava a pasta do Meio Ambiente, apontou para a necessidade de derrubada do texto aprovado na mesma noite na Câmara dos Deputados para a medida provisória 458/09, que trata da regularização fundiária na Amazônia. Segundo ela, a regularização é importante, mas, do modo que ficou o texto, a MP pode se tornar "o maior programa de regularização da grilagem".

- São 67 milhões de hectares de terras públicas saqueadas do povo brasileiro, que podem ser tituladas por aqueles que fazem grilagem, que usam laranjas, que usam violência. A Câmara teve sua oportunidade. O Senado terá sua oportunidade de fazer o reparo no que foi aprovado lá - afirmou a senadora.

Marina disse ainda que, se os senadores não tiverem a coragem e o compromisso de transformar em atitude seus discursos pelo meio ambiente, "caberá ao presidente Lula fazer o veto daquilo que não convém à Amazônia e à sociedade brasileira".

A senadora sublinhou que vêm de setores do governo propostas "altamente nefastas à Amazônia e ao meio ambiente". Ela criticou duramente o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, que segundo ela tem se recusado a debater no Congresso projetos polêmicos, como o da MP 458/09, e o que acabou com o licenciamento prévio para a construção de estradas na região amazônica.

A atuação de Carlos Minc, um ambientalista, como ministro do Meio Ambiente, foi elogiada por Marina, que por outro lado afirmou que a pasta não pode ser uma espécie de "ONG do governo", que reclama depois que as políticas já foram implementadas.

- É preciso participação no planejamento das ações, antes da construção de hidrelétricas, da construção de estradas, das licitações de blocos de petróleo. Não há outra forma de política ambiental séria - declarou.

Ela lembrou a longa trajetória de vitórias e mobilizações da sociedade brasileira para tornar a legislação ambiental mais rigorosa, capaz de proteger as florestas e a população amazônida. A ex-ministra do Meio Ambiente observou que a legislação atual, que criminaliza toda a cadeia produtiva irregular, é fruto do trabalho de grupos ambientalistas, do mundo acadêmico e das ações de governo, ao longo das últimas décadas. O amplo apoio da população à preservação da floresta, disse, é demonstrado por pesquisa Datafolha: 96% dos entrevistados se posicionaram contra o desmatamento. Perto de 46 milhões de pessoas protestaram no site da Globo Amazônia e mais 1 milhão de pessoas assinaram o manifesto dos artistas pela preservação das florestas.

Marina, que ao fim do discurso foi aplaudida de pé, pediu que o país encare com seriedade o desafio da sustentabilidade para a região.

- A Amazônia é tão frágil quanto forte. Suscita sanha de ambição e atitudes contraditórias - afirmou, apresentando ainda um rápido balanço de sua atuação na pasta do Meio Ambiente.

Agência Senado - João Sassi

7.5.09

Fotos: Lou Gold

"O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinando e desafinando." (Guimarães Rosa)

22.4.09

THE MUSICAL DOCTRINE OF SANTO DAIME: "The hymns are currents."

Read more at Lou Gold's blog!

The Rain Forest's beat

The Brazilian Church of Santo Daime uses a sacramental entheogenic beverage known as ayahuasca, which the founder of the religion Master Irineu re-baptized as Santo Daime. Its roots are deeply impregnated by a strong syncretism among several cultural, folkloric and religious elements, and is therefore considered as being strongly Eclectic.

The Holy rituals are conducted around a six pointed table or star, and comprise of many hours of prayer, meditation, silent spiritual work and singing. The main aims are self-knowledge, the experience of God or the inner higher Self, and the cure of physical, psychic and spiritual diseases.

The use of entheogenic substances as a sacrament seems to have been part of the main religious traditions of ancient times, and most probably gave the visionary basis for many of the most important religions that exist in the world today.

Watch 2 videos of a european young girl singing the hymns of the Santo Daime.

Hino received by Mestre Irineu Serra (#122)


Hino received by Paulo Roberto


São Jorge

Rafaello di Sanzio

No dia 23 de abril comemoramos o dia de São Jorge. A história conta que existia um menino chamado Jorge, nascido na Capadócia, uma região da atual Turquia, que quando ainda criança mudou-se para a Palestina com sua mãe, logo depois que perdeu o pai em um campo de batalha. Jorge entrou para a carreira militar ainda adolescente, pois como seu pai, era combativo e determinado. Em pouco tempo tornou-se capitão do exército romano e lhe foi concedido o título de conde de Capadócia. Aos 23 anos já era Tribuno Militar de Roma. Nessa época sua mãe faleceu e deixou para ele toda riqueza que possuía. Como era um homem de fé e não suportava a crueldade e a injustiça, distribuiu toda sua riqueza aos pobres.

A partir desse gesto, afirmou publicamente sua fé em Jesus Cristo, dizendo a quem quisesse ouvir que era seu servo e que a ele servia em nome da verdade. Fiel ao cristianismo, foi torturado e forçado a negar sua fé. Quanto mais torturado era, mais reafirmava sua crença, chamando a atenção de muitos romanos, inclusive da mulher do Imperador que se converteu ao cristianismo.

Diocleciano, Imperador de Roma, percebendo que nada faria Jorge mudar de idéia ou negar sua fé, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303. Mais tarde, Constantino, Imperador cristão, mandou erguer um templo em sua homenagem. Já no século V, haviam cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge, quatro no Egito e 40 conventos dedicados a ele.

Em países como a Armênia, em Bizâncio e na Grécia, São Jorge era considerado um dos maiores santos da Igreja Católica. Sua sepultura fica na Lídia, cidade de São Jorge em Jerusalém, na Palestina. A devoção a esse Santo espalhou-se pelo Oriente e na época das Cruzadas pelo Ocidente. Desde o século VI há peregrinações ao seu túmulo. Hoje encontramos muitos fiéis e devotos do "santo guerreiro". Por Eunice Ferrari
Pachamama de Jorah Tree

18.4.09

26º Aniversário do Céu do Planalto


No dia 21 de abril será comemorado com a presença do Padrinho Alfredo e comitiva o 26º aniversário da igreja Céu do Planalto em Brasília. Acima um pouco da nova igreja recém construída.

2.4.09

Senadora Marina Silva é premiada por fundação norueguesa

Foto: Jefferson Rudy

A senadora Marina Silva (PT-AC) foi escolhida para receber o prêmio internacional “Sofia 2009”, atribuído anualmente pela fundação norueguesa Sophie a pessoa ou organização que tenha contribuído para a reforçar a consciência de defesa do meio ambiente e a importância de alternativas para o desenvolvimento sustentável. O prêmio foi criado em 1997 pelo escritor norueguês Jostein Gaarder, autor do livro “O mundo de Sofia’, best seller traduzido em 53 idiomas.
Ao divulgar o nome da senadora como ganhadora do “Prêmio Sophie 2009”, a fundação lembrou a trajetória de Marina Silva desde sua infância em um seringal no Acre, chegando à sua vida política, que começou como vereadora em Rio Branco, até o Senado Federal. Destaca também a atuação de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente, onde conseguiu reduzir o ritmo do desmatamento da floresta amazônica em quase 60%.
Gaarder e sua mulher Siri Dannevig criaram a fundação Sophie, em 1997, objetivando, principalmente, a concessão do prêmio internacional para incentivar as pessoas a trabalharem por um futuro sustentável. Os premiados são escolhidos por um conselho que atua como júri. De acordo com a fundação, o “Prêmio Sofia 2009” está sendo concedido à senadora “por sua coragem, criatividade, habilidade de fazer alianças e, sobretudo, pelos resultados alcançados na luta pela preservação da Amazônia”. Seus esforços “para assegurar uma gestão sustentável deste planeta em que vivemos são fonte de inspiração para todos”, completa nota divulgada pela fundação.
O prêmio, no valor de US$ 100 mil, está programado para ser entregue em Oslo, no dia 17 de junho, das 16 às 17h30min, no Teatro Christiania. Criado em 1997, este prêmio já foi concedido, entre outras pessoas e instituições, a Wangari Maathai, a ecologista queniana que, além deste e outros prêmios, foi Nobel da Paz em 2004.
Este é o quarto prêmio internacional que Marina Silva recebe depois de sua volta ao Senado.
Marina Silva também recebeu, depois que retornou ao Senado, o Prêmio “World Rainforest Award”, concedido pela Rainforest Action Network (RAN), como reconhecimento pelo seu trabalho e compromisso para proteger a floresta tropical, em 16 de outubro de 2008. Recebeu, ainda, em março deste ano, o XIV Prêmio N´Áitun 2009, criado em 1996 por Artistas Pro Ecologia , destinado anualmente a pessoas e instituições que tenham se destacado na defesa do meio ambiente.

Jandira Gouveia
Assessora de Imprensa da senadora Marina Silva (PT-AC)

20.3.09

Yawanawá: De Volta à Aldeia Sagrada

"Agora começamos uma nova era", afirma o cacique da aldeia localizada no alto do Rio Gregório.

Texto e fotos: Flávio Schneider

No local em que pela primeira vez viram um homem branco subir o barranco do rio Gregório, lá no alto, sob a liderança do cacique Biraci Brasil (Nixiwaka), os índios Yawanawá estão reconstruindo a aldeia sagrada, onde outrora habitava todo o ‘povo do queixada', sob a orientação de Antônio Luiz, o patriarca centenário e maior pajé.
Biraci Brasil vem recebendo orientações dos espíritos da floresta e está conduzindo diretamente os trabalhos. Os primeiros movimentos foram iniciados em 2005. Na margem esquerda estão sendo construídas as casas dos índios que irão habitar na aldeia enquanto na margem direita foi levantada uma oca, ligada por um trapiche à outra ampla casa, todas cobertas por palha de palmeiras, abundantes na região. Ali, Biraci inicia uma nova fase na vida da aldeia. A terra é abençoada e rica para quem vive na floresta. Muita caça, muito peixe, terra fértil e rica biodiversidade. O clima é agradável. À noite sempre faz frio. Nesta época, muita chuva.
Segundo Bira narrou, seu povo já teve o tempo em que vivia unido em uma só aldeia. Vieram então os caucheiros peruanos, depois os seringalistas brasileiros, com a tentativa de escravização material para obtenção da borracha. Houve a demarcação da terra, os grandes projetos econômicos com o nome Yawanawá, o início da recuperação da cultura, dos costumes e da espiritualidade. "Agora começa uma nova era", afirma o cacique.
A aldeia sagrada será um local onde os jovens irão aprender a andar na floresta, conhecer a mata, suas ervas, os hábitos dos animais, os rios e seus afluentes. Grupo de alunos com seus professores irão à aldeia sagrada para aprender tudo isso e ainda a arte da cerâmica, as tradições, as brincadeiras, as comidas, etc. Biraci quer se embrenhar na mata com o povo, aproximá-lo cada vez mais da floresta e esquecer que, recentemente, muitos estavam se voltando para as cidades, iludidos. É o caso de alguns índios hoje estudantes universitários - 11 deles estão fazendo faculdade em Rio Branco e Tarauacá - mas o destino é retornar à aldeia e aplicar os conhecimentos adquiridos.
E, finalmente, o mais importante: a aldeia sagrada será um local, de busca espiritual, um centro de formação espiritual onde será permitida a entrada de pessoas de todo o planeta, de grupos de todas as linhas espiritualistas, que venham se apresentar e conhecer a forma Yawanawá de espiritualidade. Segundo Biraci, lhe interessa hoje apenas pequenos projetos que tragam o bem estar de todos que estiverem na aldeia sagrada e os que lá habitam.
Conta Biraci que, antes de morrer, Antônio Luiz disse para seu povo que nunca deveria sair daquele local, que nunca se separassem e nunca parassem de beber Uni, a bebida sagrada. O corpo de Antônio Luiz está enterrado na aldeia sagrada, mas em local muito reservado aonde só vai quem é convidado.
Antônio Luiz também deixou dito que sempre que bebessem Uni, os índios fossem até seu túmulo e deixassem um pote de Uni, para ele beber também. Deveriam deixar também um pouco de rapé de tabaco, planta utilizada amplamente em processos de cura e também na busca espiritual entre os Yawanawá.
O povo Yawanawá fez exatamente o contrário: abandonou a aldeia mãe, surgiram várias aldeiazinhas, embora a primeira delas, a Nova Esperança, seja de longe a mais importante e com maior número de moradores, mais da metade do total. O Uni praticamente foi banido. Também proibiram a língua nativa. Em 1982, Bira começou a construção da aldeia Nova Esperança. Em 2005, começaram os trabalhos na aldeia sagrada e no dia 22 de fevereiro de 2009, uma data histórica, o retorno do Uni e do Mariri ao terreiro da aldeia sagrada pela primeira vez depois de 27 anos.

A aldeia Nova Esperança foi a primeira surgida com a consolidação da terra demarcada. Hoje é dirigida por Nani, enquanto Bira está empenhado na construção da aldeia. Nani é o braço direito de Bira e o segundo cacique geral. Bira conta ainda, para guiar o povo, com um grupo de guerreiros mais adiantados na vida espiritual, sua companheira Putany, primeira mulher pajé do povo Yawanawá, o velho pajé Yawa, Kuni, Tikã e o Manoel, fabricante do rapé sagrado, fiel companheiro e mais um grupo de leais guerreiros.
Nesta aldeia é realizado o Festival Yawa e ela continuará sendo o centro das decisões políticas, econômicas sociais e culturais. Ela é a base ainda hoje da implantação da aldeia sagrada, que está situada cerca de uma hora acima de bote (motor de popa). Quando há um mutirão, a Nova Esperança fica quase deserta O trabalho é intenso e são mais de 300 índios envolvidos. Foi feito um grande mutirão na aldeia sagrada, mas uma enorme alagação acontecida em janeiro fez com que os índios perdessem o arroz. Esperavam colher seis toneladas e colheram apenas uma. Mas, imediatamente plantaram no local cinco mil pés de banana. Biraci já está fazendo o planejamento para um grande jardim de árvores frutíferas nas duas margens.


O Povo Yawanawá é tradicionalmente um povo mais caçador que pescador e em suas terras sempre há fartura de proteína animal. Dentro de uma tradição de total respeito pela natureza, seus caçadores fazem caçadas coletivas ou individuais e suas caças preferidas são a anta, o veado, o porquinho (caititu) e o queixada. E também algumas aves, muito apreciadas pelas mulheres índias, como as nambus, cojubins e outras. O milho é muito apreciado. A macaxeira reina soberana, cozida, assada, em forma de farinha, como caiçuma está presente no dia a dia. Na aldeia sagrada não entra televisão. Bebida alcoólica - nem pensar - é expressamente proibida, isto tudo já a partir da aldeia Nova Esperança. Muitas dessas decisões são tomadas na oca da aldeia em conversas logo no início do dia.
Uni histórico
No dia 22 de fevereiro, um domingo, o cacique pajé Bira fez o primeiro trabalho com Uni na aldeia sagrada, depois de ter sido interrompido por 27 anos. Ele convidou 27 pessoas, a maior parte de extrativistas e agricultores da região de Rodrigues Alves e do Rio Croa, todos daimistas, quatro estrangeiros, estudantes de várias linhas da bebida Ayahuasca, Emílio Dia (daimista paulista), tendo sido a logística da viagem da comitiva coordenada pelo Centro de Estudos da Ayahuasca, Flor de Jurema, centro daimista do Rio Croa, que tem em sua direção Davi Nunes de Paula e Fabiana de Paula e é dirigido espiritualmente pela cabocla Jurema. Quanto a mim, fui convidado em sonho pelo Bira para ir à terra Yawanawá e finalmente a oportunidade surgiu. A caravana permaneceu na aldeia sagrada durante sete dias.
Unidaime ou Daimeuni?
Biraci abriu a porta da aldeia sagrada para o primeiro grupo espiritualista dentro do centro de formação espiritual e o escolhido foi a Doutrina do Santo Daime, aos quais se juntou o grupo de ayahuasqueiros da Escandinávia e permitiu um feitio do Daime, nos moldes dos ensinamentos do Mestre Irineu. O grupo visitante de daimistas e ayahuasqueiros, com a participação dos índios, construiu uma casinha de feitio, com fornalha de três bocas. O local fica situado a cerca de um quilômetro da aldeia sagrada em local no meio da floresta perto do Igarapé Caxinauá. O local também servirá de apoio ao Festival Yawa.
É importante citar, o Jagube (cipó) e a folha Rainha utilizados no primeiro feitio de Daime na terra Yawanawa foi levado dos jardins do rio Croa, cuja comunidade é a maior reflorestadora de Jagube e Rainha no vale do Juruá, com milhares de pés das duas plantas. O acordo firmado inclui também a cessão de mudas do Croa de suas variedades e vice-versa.


Para o cacique Biraci é este tipo de convívio que ele quer daqui para frente. Amigos que o ajudem a reconstruir a aldeia sagrada, junto com seu povo. Bira ficou especialmente satisfeito, pois é seu desejo que cada vez mais os Yawanawá se voltem para a tradição do Uni e durante os dias de feitio, até alguns índios que nunca tinham bebido Uni, tomaram Daime e gostaram. No momento não resta dúvidas na aldeia de que o povo do Daime é irmão, quase como se fosse outro povo indígena e, aliás, o sangue índio corre nas veias da maioria deles. Segundo Bira não interessa receber na aldeia pessoas com preocupações financeiras ou políticas, isto fica para a Nova Esperança. "Na aldeia sagrada só queremos quem nos alimente o espírito. Aqui é nossa aldeia mãe. Olha a floresta. Debaixo dela habita um povo. Aqui andamos e vivemos como o criador nos criou. Tudo começou aqui" - disse.
A linha Yawanawá
Antonio Luiz tinha em sua língua original oito nomes. É costume Yawanawá chamar as pessoas por vários nomes, como forma de homenagear os mais diversos parentes seja a mãe, o pai, os tios, as tias, etc. Segundo alguns cálculos, ele viveu 116 anos e dirigiu o povo por 107 anos. Como chefe espiritual recebia cinco guias. Biraci está trabalhando para receber os mesmos guias, um pedido especial que fez ao mestre espiritual e já vem sendo orientado por eles. O pajé mais velho da aldeia é o Yawarani, chamado simplesmente por Yawá. É pajé desde os 50 anos e hoje tem cerca de 90. Ele canta também, mas suas especialidades são a reza e os trabalhos com as plantas medicinais. É uma relíquia viva e suas rezas na língua nativa, acompanhados de sopros, são requisitadas por todos. Também recebe duas entidades. Outro pajé cantador, Tatá, mora numa aldeia do baixo rio e não participou das atividades.
Muitos dos cânticos tinham se perdido e o cacique Bira é o canal onde eles vêm sendo resgatados. No ano 2000 recebeu o cântico ‘Kanarô txereeteintê', durante trabalho com Uni, ocasião em que o próprioYawa chorou de emoção. É um hino à criação, fala da arara amarela (Canindé), o pássaro que voa mais alto da espécie, sai de casa e voa para comer em outros rios, levando a mensagem de sua existência e volta para dormir em casa. Para Biraci o hino é também o símbolo da nova era em que o povo está entrando e simboliza as boas vindas a todas as manifestações de Deus no planeta Terra. Um grande presente no mariri do Uni para um convidado é escutar o hino do Kanarô e ver inserido nele seu nome, como um chamado de boas vindas.
O juramento do Muká
O terreiro sagrado do Muká é um lugar especial dentro da aldeia sagrada. Lá existe uma planta denominada Rarê Muká, a mais sagrada dentro da cultura Yawanawá. É uma planta simples, rasteira e muito rara. É também um pajé, simbolizado materialmente pela planta. Ela não é cultivada. Surge praticamente somente no terreiro sagrado e é quem cuida da folha Kãnikauá. O terreiro sagrado serve como retiro espiritual para formação de pajés, para dietas como a da caiçuma, do jenipapo e para fazer o ‘Juramento do Muká' ou Juramento do Rarê', o ato mais sagrado da cultura Yawanawá. Dez índios Yawanawá já fizeram o juramento na fase moderna. O juramento tem geralmente uma finalidade específica, como por exemplo, tornar-se um curador com plantas. O Juramento do Muká é o último recurso para cura de doenças difíceis. Quando Yawá iniciou a dieta, convidou alguns estudantes de pajelança para entrar com ele. Quatro se habilitaram, mas, na hora, três desistiram por acharem que ainda não era o momento e apenas o índio Nãinawa, que trabalha como enfermeiro da Funasa há 13 anos, topou e já está há um mês em dieta. Outro detalhe importante é que os demais índios cuidam da família daquele que está na dieta do Muká. Não deixam faltar nada para sua esposa e filhos, para que o estudante possa se dedicar integralmente à sua dieta.
Nãinawa é um índio especial. Faz uma dieta para se curar de uma enfermidade e para alcançar conhecimento de plantas medicinais, e tem como professor o velho Yawá. Como enfermeiro da Funasa vai incluir no seu trabalho diário o conhecimento adquirido e já está se tornando um importante aprendiz de pajé, confeccionador da lança sagrada da cultura Yawanawá (mustanti pastí) e rezador de grande eficiência. No terreiro sagrado também está plantado o Uni (cipó) e já existem vários canteiros de folhas Rainha.

Os estrangeiros participantes desta jornada têm, todos, formação espiritual. Il Jan de Ghier nasceu na Holanda e mora na Noruega. Faz arte moderna, constrói casas com materiais recicláveis, faz exposições de esculturas na Escandinávia e dá palestras em toda Europa. Dirige com a esposa um círculo de Ayahuasca denominado Estrela do Norte, no Norte da Noruega. Participou intensamente de todas as atividades com Uni, Daime, rapé, pinturas com jenipapo e atividades na floresta.
Joana Hietasola nasceu na Finlândia e mora atualmente na Suécia. É professora de Ioga na tradição Saeraswati, uma das doze principais tradições do Hinduísmo. Para ela, o Daime e o Ioga se completam. Também participa de grupos de estudos de Ayahuasca na Europa.
Bjorn Mattsson nasceu na Suécia onde sempre morou. Foi diretor por 25 anos de uma indústria de panificação, mas abandonou tudo pela alternativa espiritual. Há 15 anos tem formação Sufi e trabalha com shamanismo de índios da América do Norte: os Blackfeet que habitam o Canadá e Norte dos EUA e o povo Hopi que vive no Novo México, Sul dos EUA. Participa de círculos de Ayahuasca em toda a Europa e possui uma pequena reserva florestal na Suécia, denominada ‘Santuário da Floresta'.
Maarit Bredsen nasceu e vive em Oslo, a capital da Noruega, trabalhando como psiquiatra em hospital. É estudante de várias linhas de shamanismo europeu e sul americano já tendo participado de pajelanças com os índios Kaxinawá.

Serviços

A terra Indígena Yawanawá está localizada no alto rio Gregório, município de Tarauacá, com acesso a partir da BR 364 e viagem de barco de pequeno porte.
A visitação turística vem sendo estruturada com assessoria do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Esporte, Turismo e Lazer (SETUL), cujo produto turístico está inserido no roteiro Caminhos das Aldeias e da Biodiversidade.
As visitas ocorrem mediante agendamento de pequenos grupos em alguns períodos do ano e durante o Festival Yawa, que ocorre no mês de outubro. Os turistas firmam contrato de responsabilidade ética em relação à imagem do povo Yawanawá, seus kenês (desenhos sagrados), música, dança e demais costumes.
A alimentação fornecida ao visitante é a regional, com base de arroz, feijão, farinha, macaxeira, banana, galinha e pato, não compondo o cardápio pratos originários elaborados da caça e pesca para não causar impacto na fauna e em respeito à legislação ambiental e indígena.
A partir de contrato firmado com a Organização Yawanawá, cuja receita decorrente é direcionada em favor de toda a comunidade, a operação turística é realizada pela empresa Maanaim Amazônia Eventos & Turismo Sustentável (www.maanaim-amazonia.com), e-mail: contato@maanaim-amazonia.com Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , telefones (68) 3223-3232 ou (68) 9971-3232.
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19.3.09

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