2.5.10

Garden of Eden - Snu Voogelbreinder


Garden of Eden, by Snu Voogelbreinder explores the vast world of psychoactive plants, animals and other organisms, and their uses in shamanism, spiritual exploration and healing. Encompassing scientific research, personal experience, ancient knowledge and esoteric philosophies, a multidisciplinary approach is taken, giving a wide view of the effects of natural substances on the mind, with an emphasis towards beneficial outcomes. Preliminary information is given regarding neurochemistry, drug-free consciousness alteration, and methods of use, from cultivation or wild-sourcing through to harvesting, processing, consumption and navigation of the effects. Thousands of species from over 1700 genera are discussed, with over 440 genera covered in greater detail, including botanical and zoological descriptions. Also included are a detailed index of natural chemicals of particular interest, and a huge bibliography containing thousands of reference entries.

24.4.10

Comentários sobre o Ayahuasca Track - Maps Conference


Por Bia Labate

Caros amigos

Acabei de participar da conferência do MAPS, em San José, nos USA, entre os dias 15 e 18 de abril de 2010. Fui mediadora do “Ayahuasca Track”, uma sessão composta por 21 apresentações sobre a ayahuasca (fora isto, Jordi Riba apresentou um trabalho sobre o tema no “CME Track”; houve, também, um poster sobre o uso da ayahuasca nos Estados Unidos).

A Conferência foi uma combinação fascinante do que existe de mais pioneiro em termos dos estudos biomédicos sobre os potenciais terapêuticos dos agentes psicodélicos, estudos culturais sobre o consumo de psicoativos e a cena psicodélica da Califórnia (marcada por uma estética bem própria).

O Track da ayahausca foi uma mistura de ciências da saúde, ciências sociais e grupo de auto-ajuda para entender a experiência com a ayahuaca. Entre tabelas, estatísticas, duras correlações sociológicas, depoimentos em primeira pessoa e louvações à la madre tierra cumprimos uma jornada intensa de três dias de atividades. Tudo foi filmado e deve entrar on-line no site do MAPS em dois ou três meses. (Vale notar também que estavam presentes no mínimo quatro equipes que realizaram ou estão realizado documentários sobre a ayahuasca).

Vejam a reportagem do Fantástico sobre o potencial terapêutico da psilocibina aqui: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1573218-15605,00-ALUCINOGENOS+SAO+USADOS+EM+TRATAMENTO+DE+DOENCAS+PSIQUICAS.html

Vejam uma entrevista comigo para o canal F aqui:  http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1575987-15605,00-RELEMBRE+COMO+FORAM+OS+PREPARATIVOS+PARA+O+CASAMENTO+DE+ALEXANDRE+PATO+E+ST.html (depois da reportagem do casamento de Alexandre e Stephany).

Na minha opinião, as novidades mais importantes do ayahuasca track foram:

- O Dr. J. M. Fabregas apresentou resultados da sua pesquisa com voluntários dos grupos do Santo Daime (Céu do Mapiá) e da Barquinha (Rio Branco) com experiência de uso da ayahuasca de pelo menos 15 anos duas vezes por mês, com um follow de intervalo de 8 a 12 meses. A pesquisa concluiu que o grupo usuário de ayahuasca pontuou significativamente mais baixo nas escalas de Status Médico e Uso de Álcool, e nas sub-escalas de Status Psiquiátrico; não foram achadas estatísticas diferentes entre os grupos de usuários da ayahuasca e o grupo controle em várias outras escalas. Estes resultados são inéditos, e serão publicados em breve no journal Drugs and Alchool Dependence;

- Phillipe Lucas reportou que no Canadá um grupo inagurou um novo protocolo de pesquisa para investigar o tratamento da dependência com a ayahuasca. A equipe é liderada pelo médico húngaro-canadense Dr. Gabor Mate, um expert no tratamento da dependência (http://www.drgabormate.com/);

- Leanna Standish, médica naturopática e neurocientista, apresentou o protocolo de uma ampla pesquisa de estudo da ayahuasca em adultos saudáveis. Para este projeto, ela montou o que denominou de um "dream team" (equipe de pesquiadores dos sonhos), entre eles Rick Strassman (que realizou importantes pesquisas com a DMT no passado). Ainda que este estudo procure investigar alguns aspectos que sejam repetitivos em relação ao que já está sendo pesquisado pela equipe de Jordi Riba na Espanha, é o maior do gênero já feito nos Estados Unidos e deve inaugurar uma nova fase de pesquisa sobre o tema neste país. O grupo já teve seu projeto aprovado pelas instâncias governamentais e científicas;

- Robert Forte apresentou o que denominou de “pesquisa de guerrilha”, um estudo promovido por ele sem autorização de comitês de ética ou ligado a alguma universidade. Ele levou dois pacientes de câncer para fazer um tratamento no centro Mayantuayacu, em Pucallpa, no Peru, conduzido pelo maestro Juan Flores. Embora os resultados ainda sejam incipientes, a experiência coloca questões interessantes sobre a ética acadêmica e a os desafios associados ao estabelecimento de modelos alternativos para estudar as substâncias psicoativas.

Enquanto isto, no Brasil, o deputado federal Paes de Lira, campeão da defesa dos direitos humanos, apresentou um  projeto de decreto legislativo de sustar a Resolução n. 1 do Conad, de janeiro de 2010, “que liberou o uso do coquetel alucinógeno para cultos supostamente religiosos”. Vejam aqui:  http://www.youtube.com/watch?v=ncCEsI1qJlE

Abraços com vibrações da Califórnia,

Bia Labate
http://bialabate.net


Fotos: Luis Eduardo Pomar

ADVISORY: Brazilian Presidential Candidate Marina Silva in Washington April 24-26 to Discuss Climate Change with Obama Administration, Address Earth D

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21.4.10

Chris Jordan-American Portraits

Running the Numbers
An American Self-Portrait  

Running the Numbers looks at contemporary American culture through the austere lens of statistics. Each image portrays a specific quantity of something: fifteen million sheets of office paper (five minutes of paper use); 106,000 aluminum cans (thirty seconds of can consumption) and so on. My hope is that images representing these quantities might have a different effect than the raw numbers alone, such as we find daily in articles and books. Statistics can feel abstract and anesthetizing, making it difficult to connect with and make meaning of 3.6 million SUV sales in one year, for example, or 2.3 million Americans in prison, or 32,000 breast augmentation surgeries in the U.S. every month. 

This project visually examines these vast and bizarre measures of our society, in large intricately detailed prints assembled from thousands of smaller photographs. Employing themes such as the near versus the far, and the one versus the many, I hope to raise some questions about the roles and responsibilities we each play as individuals in a collective that is increasingly enormous, incomprehensible, and overwhelming. 

Chris Jordan, Seattle, 2008 

 


18.4.10

MAPS - Ciência Psicodélica no Século XXI

Fotos: Luis Eduardo Pomar

Em pleno Vale do Silício na cidade de San Jose, Califórnia, a Conferência do MAPS reúne pesquisadores, artistas e um público de quilometragem rodada nos psicodélicos. A arte visionária tem espaço destacado com diversos artistas expondo seus trabalhos. Entre eles podemos ver Mark Henson, Amanda Sage, Venosa e originais de Pablo Amaringo. O artista Alex Gray palestrou na noite de sexta-feira, e falou do surgimento das religiões através de experiências místicas,  destacando as diversas atividades religiosas que utilizam enteógenos em seus rituais, dando especial atenção à religião do Santo Daime. Falou também um pouco da história do LSD, quando Albert Hoffman por acidente teve sua primeira experiência psicodélica em 16 de abril de 1943. Gray conta que Hoffman, três dias depois, resolveu então testar a substância, e sob o efeito, saiu de seu laboratório de bicicleta e foi pra casa. Durante o percurso experimentou o que seria a primeira experiência deliberada com LSD. À partir desse acontecimento foi criado o Bycicle day, aonde em diversas cidades pessoas pedalam de bicleta para relembrar a data de 19 de abril de 1943. Albert Hoffman morreu no dia 29 de abril de 2008 aos 102 anos na Suíça.



Artistas pintando um mural.



Mark Henson expondo no MAPS



Alex Gray palestrando.



Bia Labate apresentando Andrez Fernandes, Ph.D, que falou do "Trauma Cultural, Capitalismo Moderno com expansão global do Santo Daime : 1930-2009

17.4.10

Ibogaine, Rite of Passage



Ibogaine, Rite of Passage, a film by Ben de Loenen
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"Vine of the Souls" - A film by Richard Meech


Can a sacred plant from the Amazon heal our minds and spirits? For centuries, indigenous people of South America have used ayahuasca, a psychoactive plant medicine, to cure all manner of psycho-spiritual ills.

Today, thousands of Westerners, seeking healing and spiritual awakening, attend ayahuasca ceremonies around the world to drink the vision-inducing tea and experience dramatic transformations in their lives.

"Vine of the Soul” is a documentary that explores this brave new world, offering insights into the nature of faith, mystical experience and self-healing through a heightened state of consciousness.

Filmmaker Richard Meech follows key protagonists as they journey to Peru – and back home – capturing in verité style both the life-altering epiphanies and nights of terror encountered after drinking the sacred brew.

Is ayahuasca a doorway to direct knowledge of the divine or a path that leads to psychological trauma? Can it cure modern addictions to drugs and alcohol or is ayahuasca itself a possible substance of abuse? Some people call it a medicine, others a sacrament; the Amazonian shamans say it is simply a ‘plant teacher’ that tells you what you need to know.

Throughout the film, in-depth interviews with Peruvian and Canadian shamans, ethnobotanist Dennis McKenna, addiction expert Dr. Gabor Maté and scholar Kenneth Tupper speak to the increasing use of ayahuasca outside the Amazon and the potential benefits for Western medicine, personal spiritual growth and a new understanding of nature.

Featuring Guillermo Arévalo, Metsa Niwue and Ronin Niwe. Shot on location at Espíritu de Anaconda near Iquitos, Peru and at other locations in North America.

The Buddhist Art of Thangka

Unknown Artist from XI Century

13.4.10

MAPS 2010 Conference - Psychedelic Science in the 21st Century

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O Encontro com Avatar

Roberto Almeida e Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo

O hotel Grand Hyatt, em São Paulo, foi o cenário do encontro entre a presidenciável pelo PV Marina Silva e o cineasta James Cameron, diretor de Avatar. O encontro, que durou 45 minutos, era desejado por Marina desde que assistiu ao filme e percebeu que Cameron havia captado a essência da vida na floresta.

Um texto de Marina sobre Avatar, relatando conexões entre o filme e sua infância, foi entregue a Cameron. Entusiasta da causa ambiental, ele perguntou à senadora como poderia ajudar.

Citando o pensador Edgar Morin, Marina disse que é fã do conceito de "comunidade de pensamentos" e defende a criação de um processo político que estabeleça nova visão de desenvolvimento. E apontou a Convenção da Biodiversidade, discutida na conferência Rio 92, não ratificada pelos EUA. "Nós temos trabalho a fazer também", concordou o diretor.

Na conversa, o cineasta exaltou a cena do filme em que a árvore dos guerreiros na"vi é derrubada, gerando ligação emocional com a floresta. "É preciso que as pessoas se reconectem com a natureza e comecem a pensar em soluções legais para os problemas", disse. Coincidentemente, Marina diz em seu texto que foi às lágrimas ao ver tal cena.

Com os atores Sigourney Weaver e Joel David Moore, Cameron veio à cidade promover o lançamento em DVD e Blu-Ray de Avatar. Nos próximos dias vai se reunir com líderes ambientalistas e indígenas.

28.3.10

Photo by L.E.Pomar

Avatar is real

Read at Lila

"AVATAR" HITS THE CAMPAIGN TRAIL IN BRAZIL

via truthout
Rio de Janeiro - The Green Party candidate for president of Brazil, environmentalist Marina Silva, is seeking the support of filmmaker James Cameron, winner of three Oscars for his film "Avatar," in her bid for the executive office. The two might have the opportunity to meet one another, along with former Vice President Al Gore and biodiversity expert Thomas Lovejoy, at the International Forum on Sustainability, which will be held in the city of Manaus, capital of the Brazilian state of Amazonas, on March 27.

In her campaign, Silva is making use of the Internet to engage in dialogue with voters, particularly Brazilian youth, who are generally most receptive to environmental issues. In a recent blog entry, "Avatar and the Invader's Syndrome," Silva discusses what she found to be the personal and national significance of the film. Silva, former environment minister to President Luiz Inácio Lula da Silva, compared the story of the Na'vi on Cameron's Pandora to her upbringing in Acre, Brazil. Silva grew up in the Amazon rainforest, harvesting latex rubber from trees.

"While watching 'Avatar,'" Silva writes on her Web site, "there was a moment in which I found myself reaching out and trying to touch the water that was gleaming on a glossy forest leaf, so fresh and beautiful. The Na'vi warrior was drinking from the leaf the same way I used to do as I walked through the forest where I grew up in Acre."

For Silva, "Avatar" symbolizes more than a confrontation between good and evil; it puts forth "an argument for beauty, for inventiveness, for the survival of ways of life that have the potential to shatter our contemporary hegemonic values ... that regard slavery and the destruction of nature and its inhabitants as normal."

Silva faces a long uphill climb in her David-vs.-Goliath battle for the presidency. She currently trails far behind [Sao Paulo state Governor Jose Serra] and Dilma Roussef, President Lula's current chief of staff and favored candidate.

In her likely meeting with Cameron, Silva, who was illiterate until the age of 14, would like to tell the director that, for her, the moment in the film that really had her in tears was when Hometree was destroyed. The fall of this great tree "gave rise to a spirit of revolt." Silva hopes that this spirit will inspire the youth to defend the planet and its rivers and forests. Silva believes that a passion to defend the environment is particularly vital in Brazil, a nation that possesses 25 percent of the world's potable water and some of the greatest biodiversity on the planet.

Translation: Ryan Croken.

Ryan Croken is a freelance writer and editor based in Chicago. His essays and book reviews have appeared in The Philadelphia Inquirer, Z Magazine and ReligionDispatches.org. He can be reached at ryan.croken@gmail.com

8.3.10


Foto: Luis Eduardo Pomar

Dia da Mulher

Foto: Amanda Farias

Em cada mulher há uma menina
que quer brincar, que quer chorar,
que quer ser abraçada, que quer ser beijada.
Deite-a em seu colo, afane seus cabelos,
enxugue suas lágrimas,
brinque, abrace e beije.
E nela despertará a mulher
que caminha junto lado a lado.

Gudrun Burkhard

25.2.10

Unknown Artist

Só Marina é futuro

Para Marina Silva, importa muito mais a direção e a qualidade do crescimento econômico do que sua velocidade.
José Eli da Veiga na Folha de São Paulo

... mesmo que o noticiário eleitoral coloque Marina numa suposta terceira via, ela está na primeira para o futuro do Brasil, pois todos os demais candidatos se engalfinham na carcomida segunda.

Desta vez não há escapatória: o “fator Marina” obriga todos os pré-candidatos à Presidência a dar substancial destaque ao meio ambiente. E é provável que a questão seja muito bem tratada pelos dois favoritos, pois contarão com a ajuda dos competentes times de governos, conduzidos por Carlos Minc, no federal, e por Xico Graziano e José Carlos Carvalho, nos paulista e mineiro. Equipes em que predominam técnicos identificados com a senadora Marina Silva, mesmo que, por razões mais pragmáticas que altruísticas, não apoiem sua pré-candidatura.

Impõe-se, então, uma óbvia pergunta: poderá haver diferença significativa entre o discurso da senadora e os que serão os adotados pelos favoritos, caso realmente assimilem as ideias de seus ambientalistas?

Ao contrário do que parece, a resposta é um retumbante sim. E o total contraste inviabilizará qualquer conciliação programática para o segundo turno, mesmo que ocorra algum acordo por motivos táticos. Só não percebe quem esquece ou ignora o antagonismo que há entre o imperativo da sustentabilidade e a esclerosada visão socialdemocrata do capitalismo.

Por mais que tenha havido diversificação da fauna partidária socialdemocrata em seus quase 150 anos de adaptações a uma miríade de circunstâncias históricas e político-culturais, nada impediu que nela persistisse sua própria razão de ser, chame-se de “paradigma” ou de “DNA”.

Do trabalhismo ao comunismo, passando por todas as espécies de socialismo, o essencial continua a ser a busca de maximização do crescimento econômico conjugada a políticas sociais que reduzam a pobreza e -quando possível- desconcentrem a repartição da renda. Nesse tronco pode ser facilmente enxertado um ramo ambiental, mas sem consistência, já que tomar cuidado com a base natural da sociedade atrita com a opção primordial por pisar fundo no acelerador do PIB.

A nova visão, que brotou no pós-1968, tanto repele a dicotomia entre as esferas social e ambiental da vida humana quanto abomina o reducionismo socialdemocrata por entender que o estilo de crescimento econômico é que deve ser subordinado ao objetivo de melhoria sustentável da qualidade de vida, e não o contrário.

Ou seja, absoluta prioridade “socioambiental” (só uma palavra bem antes de ser autorizada pela nova ortografia). Nada a ver com a concepção de turbinar o PIB com aborrecidas concessões a uma exigência ambiental que seria restritiva, além de separada da social.

Tudo isso poderia cheirar abstrato demais se não pululassem exemplos concretos. A suprema aspiração do governo foi acelerar o crescimento (PAC), criando os conflitos que tangeram a ministra Marina Silva para fora.

E Carlos Minc estava na mesma rota quando a mudança do quadro eleitoral provocada pela pré-candidatura de sua antecessora elevou a cotação do “cerradinho” em detrimento da “soja”, segundo metáfora de Gilberto Carvalho sobre a índole de Lula.

Por acaso há político socialdemocrata que discorde da linha do governo Lula, esteja ele no PT, PSDB, PDT, PSB, PPS, PC do B ou PSOL, tenha ficado no PMDB ou baldeado para o atual DEM? Claro que não. Alguns adoram malhar a ineficiente gestão do PAC, mas só porque querem mais do mesmo. A nenhum jamais ocorreria a imprescindível necessidade de substituí-lo por um “Plano de Transição ao Ecodesenvolvimento”, sem investimentos contrários à realidade socioambiental. Caso dos mais emblemáticos está na BR-319, que precisa ser abortada, e seus recursos transferidos para obras de saneamento ou de geração de energia limpa.

Sim, a economia brasileira ainda precisa crescer. E muito. Mas não de qualquer maneira, e ainda menos a qualquer custo, como querem os duetos Dilma/Ciro e Serra/Aécio. Para o projeto nacional que agora engatinha com Marina, importa muito mais a direção e a qualidade do crescimento econômico do que sua velocidade.

Aliás, se o contrário fosse melhor, este país já seria um dos mais desenvolvidos do mundo, pois nenhum outro PIB nacional aumentou mais do que o seu entre 1900 e 1980: algo como 50% mais do que o dos EUA.

Em suma: mesmo que o noticiário eleitoral coloque Marina numa suposta terceira via, ela está na primeira para o futuro do Brasil, pois todos os demais candidatos se engalfinham na carcomida segunda.

José Eli da Veiga, 61, é professor titular de economia e orientador do programa de pós-graduação em relações internacionais da USP e autor, entre outras obras, de “Mundo em Transe”. Fonte: Folha de S. Paulo

18.2.10

Os Círculos Ingleses


"Para cada coisa que acredito saber, dou-me conta de nove que ignoro." (Provérbio Árabe)

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. O mundo começou a tomar conhecimento dos "círculos ingleses" a partir da década de 80, apesar destes círculos estarem aparecendo há séculos. Os famosos "círculos ingleses", os quais são chamados de círculos por força do hábito, têm sido documentados desde o século 16. Por que levamos tanto tempo para validá-los?

Considerados verdadeiras obras de arte por estudiosos e especialistas, estima-se que cerca de 10 mil dessas enigmáticas figuras já foram descobertas em todo o mundo, sobretudo no sudoeste da Inglaterra (próximo à região onde se situa Stonehenge), onde a percentagem de incidência dessas figuras chega a 98% dos círculos já encontrados. Os outros 2% foram encontrados na Austrália, Estados Unidos, França e Canadá.



Os círculos ingleses são na verdade um emaranhado de formas geométricas de diversos tamanhos dispostas de maneira organizada. Em alguns casos extremos, círculos compostos por mais de 200 figuras geométricas perfeitamente dispostas, numa extensão que vai além de 300 metros de comprimento, já  foram encontrados sem que os estudiosos - incluindo os do governo britânico - tivessem a menor idéia de como foram feitos.

Os desenhos parecem ser específicos a cada ano, quase como capítulos num livro. Em 1994, houve uma proliferação do que se convencionou chamar de "insectogramas", com figuras na forma de escorpiões, aranhas, teias de aranhas e outros insetos. Em 1995, os padrões pareciam sugerir sistemas solares, cinturões de asteróides e outras figuras planetárias. Em 1993, houve uma incidência de padrões geométricos.

Nestes círculos, ou em sua proximidade, nunca foram encontrados quaisquer traços ou pistas que indicassem como foram feitos ou por quem. Não há  pegadas de pessoas, ou marcas de pneus de veículos, nem sinal de que as plantas em seu interior tenham sido manipuladas por humanos. Simplesmente, os círculos surgem do nada, portando uma mensagem inexplicável e desafiando nossa inteligência e tecnologia.

Nem mesmo os estudiosos que acompanham os aparecimentos desde o começo da década de 80 se atrevem a esboçar alguma explicação para o fenômeno.

Nos meses de pico, que se por entre maio e setembro (época em que as plantações estão próximas da colheita), milhares de estudiosos de todo o globo se reúnem no sudoeste da Inglaterra atrás de novas figuras, que às vezes chegam a aparecer quase que diariamente.

É importante frisar que nenhum vestígio foi encontrado em qualquer círculo validado, a não ser uma certa forma de energia desconhecida ou não catalogada pela Ciência atual. Esta forma de energia produz uma mudança a nível genético nas plantas afetadas pelo fenômeno, a qual faz com que suas sementes também sejam afetadas.

Hoje, a Fundação Lawrence Rockfeller vem financiando pesquisas não convencionais, destinando a estas, largas somas de dinheiro, mas ainda não foi encontrado nada de concreto sobre este fenômeno.

O Efeito nas Plantas e no Solo

Os "círculos" só  aparecem nas plantações de trigo, canola e cevada. Os caules destas plantas, que normalmente quando entortados se quebram, nas áreas onde o fenômeno ocorre, chegam a ser entortados em cerca de 90 graus.

O entortamento dos caules se dá  num ponto entre 20 e 80% da altura total das plantas. As vezes, plantas situadas lado a lado na colheita, são entortadas em direções opostas dentro do mesmo fenômeno.

Uma característica deste fenômeno é que, quando entortadas, não  é possível desentortá-las com o risco de quebrá-las, continuando seu crescimento rasteiro ao chão.

Duas organizações vêm fazendo estudo do solo dos círculos. Elas são o Center for Crop Circles Studies in England e uma organização conhecida como ADAS Ltd., trabalhando com o Ministério da Agricultura Inglês. Uma das coisas que eles descobriram é que os solos adquirem uma quantidade anormal de hidrogênio após cada formação. O único modo desta quantidade de hidrogênio aparecer assim seria se o solo recebesse uma carga elétrica extremamente forte.

Sabe-se hoje que cerca de 90% dos círculos genuínos surgem quase sempre nas mesmas áreas, ano após ano, e invariavelmente sobre ou muito perto de sítios arqueológicos de milhares de anos de idade.

Estes sítios arqueológicos às vezes estão enterrados e os estudiosos só  se dão conta de que existem um determinado lugar quando surgem círculos lá…

Um fator interessante a se notar é que um certo número de círculos têm aparecido perto de usinas nucleares, o que nos leva a crer que os responsáveis pelos círculos estão preocupados com a nossa loucura nuclear.

Outro fator é que algumas pessoas dizem ter sido afetadas depois de terem pisado dentro de uma destas formações. Alguns estudiosos comprovam estas estórias, como o dr. Collete M. Dowell. Ele, como outras pessoas, diz que em algumas formações que entrou, se sentiu extremamente ansioso ou agitado. Em outras, se sentiu feliz, bobo e outras emoções.

Pelo menos em uma coisa os estudiosos já se entendem: os círculos tem obrigatoriamente um componente não terrestre. Ou seja: não são construídos pela inteligência humana.

Esta conclusão  é sustentada pelo fato de que muitas testemunhas como fazendeiros, estudiosos e curiosos acampados nos locais em seus momentos de pico vêem com certa freqüência misteriosas luzes não identificados sobrevoarem as colheitas pouco antes dos círculos terem sido descobertos. Em alguns casos, certas bolas de luz foram até  filmadas e fotografadas, embora com baixa qualidade.

De qualquer forma, o fenômeno dos "círculos ingleses" continua no reino das suposições.

A origem do fenômeno é bem mais complexa. Alguns estudiosos ingleses encontraram na capa de um tablóide londrino, datado de 22 de agosto de 1678, uma narrativa que faz menção à lenda do "Demônio Ceifador", relatando a existência de misteriosos círculos nas plantações inglesas já  naquela época.

Com o passar dos anos as figuras foram se tornando cada vez mais complexas, primeiro eram circunferências simples, depois surgiram circunferências duplas, triplas, quádruplas, quíntuplas, círculos com anéis, figuras triangulares, ovais, espirais, etc. e assim o mistério continua, os círculos viraram símbolos e depois figuras complexas e extraordinárias. E com o aumento na quantidade e complexidade das figuras a cada ano, ficava evidente que aqueles misteriosos desenhos jamais poderiam ser feitos por mãos humanas, pois mesmo que tivesse uma multidão de pessoas desocupadas e interessadas em produzir tal fenômeno não iriam dar conta das centenas de círculos que já  viam sendo catalogados em todo o interior da Inglaterra.

Com tal aumento na complexidade dos chamados Círculos Ingleses, ficou descartada a teoria inicial de que os círculos seriam simples marcas de trens de pouso de naves alienígenas. Ufólogos, geólogos, biólogos, matemáticos, físicos, astrônomos e céticos se revezam no mundo inteiro para tentar explicar este fenômeno, alguns com bons argumentos, outros chegam a ser ate ridículos, como a história divulgada pela TV Inglesa no final de 1991, de que dois velhinhos Doug e Dave, teriam feito tais desenhos durante a noite usando a simples técnica de puxar uma tábua amarrada a uma corda por sobre os trigais. Logo os céticos do mundo inteiro deram como encerrado o problema e desvendado o mistério.

O que nos realmente sabemos a respeito das formações?

1. Sabemos da pesquisa científica em que estou envolvido que eles são formados (as genuínas formações) por uma energia capaz de alterar a estrutura molecular da planta sem danificá-la. Além disso, também  é capaz de alterar a taxa de crescimento e o seu padrão. 

2. A energia envolvida parece ser benigna e do meu conhecimento não é usada neste planeta. 
3. Algumas formações irradiam uma onda de aproximadamente 5.7 Hz no espectro eletromagnético. 
4. Ocorrem às vezes paralelamente ao avistamento de Ovnis. 
5. Mesmo após a colheita, a forma dos círculos tem permanecido na terra durante pelo menos seis meses em alguns casos. Isto não pode ser conseguido por "formações na colheita" feitas por humanos. 
6. Em algumas das formações, bússolas giram denotando uma anomalia magnética presente. 
7. A plantação fora da formação não exibe as mesmas características encontradas dentro do círculo. 
8. Não há nenhum nível de consistência. Em algumas formações temos o fator som, as anomalias magnéticas e impressões no solo, mas isto não quer dizer que iremos encontrar as mesmas características na próxima formação. Ainda assim, pode-se mostrar que os novos círculos fazem parte de uma formação genuína. 
9. Se nenhum ser humano entrar na formação, a colheita (plantação) continuará crescendo e o fazendeiro não vai perder qualquer grão.

Assim, o que nós temos? Lindos padrões geométricos nos campos que desafiam nossas leis de lógica, da física e argumentos. Mas eles continuam aparecendo pelo mundo afora! Eles parecem ter um profundo efeito espiritual em todos os visitantes ou pesquisadores. Talvez, se nada mais houver, esta seja a razão da sua existência.


Foto: Luis Eduardo Pomar

17.2.10

New swirled order (crop circle documentary 2009)


Where does this mysterious crop circle phenomena come from? Is it done by man as a joke? So why do people have extraordinary experiences then? Flying ball of lights were seen in and around crop cirlces. Or is it an alien intelligence which try to communicate with us? The geometry which can be found in crop circles, inculed a lot of mathematics which can be also found in nature.
Our new documentary "New swirled order" deals with these questions and present some very extraordinary Crop circle formations in 2008, like the "Pi"-formation in Barbury Castle or the Crop Circle near Avebury Manor, which showed our solar system with the planetary constellation of December 21 of 2012.

16.2.10

Pachamama - O filme


O filme Pachamama - título que significa para os indígenas andinos mãe-terra e designa a deusa agrária dos camponeses narra a viagem do diretor pela floresta brasileira em direção ao Peru e à Bolívia, onde encontra a realidade de povos historicamente excluídos do processo político de seus países e que, pela primeira vez na história, buscam uma participação efetiva na construção do seu próprio destino. É uma pequena odisséia de trinta dias pela realidade amazônica e andina, que revela uma América Latina em ebulição, perpassada pela cultura milenar dos Andes, que irradia pelo continente substância primordial na constituição de novos paradigmas políticos.

9.2.10

Pandora é aqui? II

Povos do Xingu contra a construção de Belo Monte



Cenas gravadas na Aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto/Jarina, entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro de 2009. Nesse período, os ministros do Meio Ambiente e Minas e Energia foram convidados a ir ao Xingu para discutir os impactos da obra de construção da usina de Belo Monte na região. Se concretizado, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e vai causar impacto mais de 9 milhões de hectares de floresta, uma área equivalente a duas vezes a cidade do Rio.

Pandora é aqui? I

Marina Silva

O Ibama concedeu a licença prévia para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Trata-se de um projeto muito polêmico, localizado no rio Xingu, no Pará, próximo ao município de Altamira, numa região conhecida como Volta Grande do Xingu. O nome deve-se ao desenho do rio que, visto de cima, assemelha-se a uma ferradura.




Por meio de barragens, as águas do rio serão desviadas para um canal que unirá as pontas mais próximas dessa ferradura. Ao final desse canal, as águas passarão pelas turbinas antes de retornarem ao seu curso normal.

Como tudo na Amazônia, os números que envolvem a obra são gigantescos. A quantidade de terra e pedra que será retirada na escavação do canal cerca de 210 milhões de m³ é um pouco menor da que foi removida na construção do Canal do Panamá. E ainda nem se definiu qual a destinação desse material.

Pelo leito do rio Xingu passa uma vazão de 23.000 m³/s de água no período de cheia. Um volume correspondente a quatro vezes a vazão, também nos períodos de cheia, das Cataratas do Iguaçu.

Os impactos socioambientais também terão essa mesma ordem de grandeza. E ainda não foram concluídos. Só sobre a fauna, segundo dados coletados durante o Estudo de Impacto Ambiental, podemos ter uma idéia. Na área existem 440 espécies de aves (algumas ameaçadas de extinção, como a arara-azul), 259 espécies de mamíferos (40 de porte médio ou grande), 174 de répteis e 387 de peixes.

Apenas a eficiência energética da usina não será tão grande. Uma obra colossal que custará certamente mais de R$ 30 bilhões se somados todos os gastos, como o custo e a extensão da linha de transmissão, por exemplo terá uma capacidade instalada de gerar, em média, 4.428 MW, em razão do que poderá ser suportado pelo regime hídrico do rio, nesta configuração do projeto. E não os 11.223 MW que estão sendo equivocadamente anunciados.

A energia média efetiva entregue ao sistema de distribuição será de 39% da capacidade máxima de geração, enquanto a recomendação técnica indica que essa eficiência seja de pelo menos 55%.

Para que Belo Monte possa apresentar um grau de eficiência energética compatível com as recomendações técnicas, seria necessária a construção de outras três hidrelétricas na bacia do rio Xingu, que teriam a função de regularizar a vazão do rio. Por ora, a construção dessas usinas foi descartada pelo governo porque estão projetadas para o coração da bacia, onde 40% das terras pertencem aos indígenas.

No entanto, a insistência em manter o projeto nessa dimensão (apesar de haver alternativa de barragem com quase metade da capacidade instalada e perda de pouco mais de 15% na potência média gerada) provoca forte desconfiança, tanto dos analistas como das comunidades e dos movimentos sociais envolvidos, de que a desistência de construir as outras três hidrelétricas seja apenas temporária.

A população indígena ¿ são mais de 28 etnias naquela região ficará prensada entre as cabeceiras dos rios que formam a bacia, hoje em processo acelerado de exploração econômica e com alto nível de desmatamento acumulado. E a barragem, além de interromper o fluxo migratório de várias espécies, vai alterar as características de vazão do rio.

É incrível que um empreendimento com esse nível de interferência em ambientes sensíveis seja idealizado sem um planejamento adequado quanto ao uso e à ocupação do território.

A solução de problemas dessa dimensão não pode ser delegada exclusivamente a uma empresa com interesse específico na exploração do potencial hidrelétrico, com todas as limitações conhecidas do processo de licenciamento.

Com a obra, são esperadas mais de 100 mil pessoas na região. Não há como dar conta do adensamento populacional que será provocado no meio da floresta amazônica, sem um planejamento para essa ocupação e um melhor ordenamento do território. Isso só pode ser alcançado através da elaboração de um Plano de Desenvolvimento Sustentável na região de abrangência da obra.

Essa foi uma grande omissão nesse processo, mas não a única. Não temos como deixar de indagar se não há outros aproveitamentos hidrelétricos que seriam mais recomendados, sob o ponto de vista dos impactos ambientais ou da eficiência energética.

No entanto, não há projetos com estudo de viabilidade técnica e econômica prontos para serem submetidos ao licenciamento ambiental. Apesar de o diagnóstico ser conhecido desde 2003, apenas em meados do ano passado foram finalizadas as primeiras revisões de inventário de bacia hidrográfica, como a do Tapajós.

Com isso, projetos polêmicos e com grandes impactos têm que ser analisados em prazos muitas vezes incompatíveis com o grau de rigor que deveriam ter, numa clara demonstração de como, muitas vezes, os ativos ambientais são afetados pela falta de planejamento de outros setores de governo.

Porém, nada foi mais afetado do que nosso compromisso ético frente à responsabilidade com o futuro de povos e culturas. Não foram sequer feitos estudos sobre os impactos que os povos indígenas terão. Só para exemplificar, o que significará para eles ter a vazão reduzida significativamente num trecho de 100km em função do desvio das águas para o canal? O plano de condicionantes tampouco menciona a regularização de duas Terras Indígenas (Parakanã e Arara), já bastante ameaçadas.

Estas e outras comunidades indígenas manifestam inconformidade por não terem sido ouvidas adequadamente, segundo os preceitos da Resolução 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil, mas nunca implementada para valer.

O Brasil possui um importante potencial de geração de energia hidrelétrica a ser desenvolvido. Mas as dificuldades em retomar o planejamento do setor na velocidade que possibilite escolhas e uma análise segura por parte do setor ambiental, somada à indisposição em discutir uma proposta de desenvolvimento sustentável para as obras de infraestrutura localizadas na Amazônia, à percepção de que o governo não faz o suficiente para melhorar a eficiência energética do sistema (não só na geração) e para desenvolver as energias alternativas, acaba por produzir conflitos agudos e processos equivocados, que poderiam ser evitados.

Apesar dos discursos em contrário, ainda estamos operando no padrão antigo, que considera o meio ambiente como entrave ao desenvolvimento. Temos ainda um longo dever de casa a ser feito para ingressarmos definitivamente no século 21. Quem pensa que a história relatada no filme Avatar só pode ocorrer em outro planeta, engana-se: Pandora também pode ser aqui.

7.2.10

O Haiti existe?

Frei Beto

Interessados em exibir na Europa uma coleção de animais exóticos, no início do século XIX, dois franceses, os irmãos Edouard e Jules Verreaux, viajaram à África do Sul. A fotografia ainda não havia sido inventada, e a única maneira de saciar a curiosidade do público era, além do desenho e da pintura, a taxidermia, empalhar animais mortos, ou levá-los vivos aos zoológicos.

No museu da família Verreaux os visitantes apreciavam girafas, elefantes, macacos e rinocerontes. Para ela, não poderia faltar um negro. Os irmãos aplicaram a taxidermia ao cadáver de um e o expuseram, de pé, numa vitrine de Paris; tinha uma lança numa das mãos e um escudo na outra.

Ao falir o museu, os Verreaux venderam a coleção. Francesc Darder, veterinário catalão, primeiro diretor do zoológico de Barcelona, arrematou parte do acervo, incluído o africano. Em 1916, abriu seu próprio museu em Banyoles, na Espanha.

Em 1991, o médico haitiano Alphonse Arcelin visitou o Museu Darder. O negro reconheceu o negro. Pela primeira vez, aquele morto mereceu compaixão. Indignado, Arcelin pôs a boca no mundo, às vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona. Conclamou os países africanos a sabotarem o evento. O proprio Comitê Olímpico interveio para que o cadáver fosse retirado do museu.

Terminadas as Olimpíadas, a população de Banyoles voltou ao tema. Muitos insistiam que a cidade não deveria abrir mão de uma tradicional peça de seu patrimônio cultural. Arcelin mobilizou governos de países africanos, a Organização para a Unidade Africana, e até Kofi Annam, então secretário-geral da ONU. Vendo-se em palpos de aranha, o governo Aznar dediciu devolver o morto à sua terra de origem. O negro foi descatalogado como peça de museu e, enfim, reconhecido em sua condição humana. Mereceu enterro condigno em Botswana

Em meus tempos de revista Realidade, nos anos 60, escandalizou o Brasil a reportagem de capa que trazia, como título, O Piauí existe. Foi uma forma de chamar a atenção dos brasileiros para o mais pobre estado do Brasil, ignorado pelo poder e pela opinião públicos.

O terremoto que arruinou o Haiti nos induz à pergunta: o Haiti existe? Hoje, sim. Mas, e antes de ser arruinado pelo terremoto? Quem se importava com a miséria daquele país? Quem se perguntava por que o Brasil enviou para lá tropas a pedido da ONU? E agora, será que a catástrofe - a mais terrível que presencio ao longo da vida é mera culpa dos desarranjos da natureza? Ou de Deus, que se mantém silencioso frente ao drama de milhares de mortos, feridos e desamparados?

Colonizado por espanhóis e franceses, o Haiti conquistou sua independência em 1804, o que lhe custou um duro castigo: os escravagistas europeus e estadunidenses o mantiveram sob bloqueio comercial durante 60 anos.

Na segunda metade do século XIX e início do XX, o Haiti teve 20 governantes, dos quais 16 foram depostos ou assassinados. De 1915 a 1934 os EUA ocuparam o Haiti. Em 1957, o médico François Duvalier, conhecido como Papa Doc, elegeu-se presidente, instalou uma cruel ditadura apoiada pelos tonton macoutes (bichos-papões) e pelos EUA. A partir de 1964, tornou-se presidente vitalício... Ao morrer em 1971, foi sucedido por seu filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, que governou até 1986, quando se refugiou na França.

O Haiti foi invadido pela França em 1869; pela Espanha em 1871; pela Inglaterra em 1877; pelos EUA em 1914 e em 1915, permanecendo até 1934; pelos EUA, de novo, em 1969.

As primeiras eleições democráticas ocorreram em 1990; elegeu-se o padre Jean-Bertrand Aristide, cujo governo foi decepcionante. Deposto em 1991 pelos militares, refugiou-se nos EUA. Retornou ao poder em 1994 e, em 2004, acusado de corrupção e conivência com Washington, exilou-se na África do Sul. Embora presidido hoje por René Préval, o Haiti é mantido sob intervenção da ONU e agora ocupado, de fato, por tropas usamericanas.

Para o Ocidente civilizado e cristão, o Haiti sempre foi um negro inerte na vitrine, empalhado em sua própria miséria. Por isso, a mídia do branco exibe, pela primeira vez, os corpos destroçados pelo terremoto. Ninguém viu, por TV ou fotos, algo semelhante na Nova Orleans destruída pelo furacão ou no Iraque atingido pelas bombas. Nem mesmo após a passagem do tsunami na Indonésia.

Agora, o Haiti pesa em nossa consciência, fere nossa sensibilidade, arranca-nos lágrimas de compaixão, desafia a nossa impotência. Porque sabemos que se arruinou, não apenas por causa do terremoto, mas sobretudo pelo descaso de nossa dessolidariedade.

Outros países sofrem abalos sísmicos e nem por isso destroços e vítimas são tantos. Ao Haiti enviamos missões de paz, tropas de intervenção, ajudas humanitárias; jamais projetos de desenvolvimento sustentável.

Findas as ações emergenciais, quem haverá de reconhecer o Haiti como nação soberana, independente, com direito à sua autodeterminação? Quem abraçará o exemplo da dra. Zilda Arns, de ensinar o povo a ser sujeito multiplicador e emancipador de sua própria história?

Frei Betto é escritor, autor de Diário de Fernando nos cárceres da ditadura militar brasileira (Rocco), entre outros livros.

6.2.10

27.1.10

Who Makes the Change?

The documentary is based on my MSc field study performed in the Amazon to evaluate the local impact of policy reforms reflecting the Climate Agenda on Reducing Emissions from Deforestation and Degradation (REDD).
In this short documentary, the story of Jesuina Braga Alves (Jo) illustrates the livelihood of many small scale farmers in the Brazilian Amazon whose survival has been challenged by changes on the climate and consequent top-down reform on policies.
To reduce forest emissions small scale farmers have faced personal and technical difficulties to phase out slash-and-burn agricultural practices and implement agroforestry as a sustainable alternative to produce their food crops while restoring forest landscapes.
Small scale farmers are on the forefront of forest conservation and are the most legitimate actors to represent the forest. Therefore, decision makers should engage those actors and consider their needs and obstacles to achieve the global common goal for reducing emissions from deforestation and mitigate climate change.

Who makes the change by Marcelo de Aguiar & Bernadett Kiss

16.1.10

New website -The Visionary artwork of Maria Isabela Hartz


Maria Isabela Hartz has lived a spirited life illuminated with inspiration, learning, teaching and healing. Her life, like her art work, is devotional, a living prayer dedicated to sharing a divine vision of love with the world. Borne in Rio de Janeiro she was already a budding artist at the the age of 18 months. Maria has spent most of her life living in nature away from the bustle of urban centers. She has lived the spiritual life in the Amazon Rainforest with the Santo Daime as a disciple of its spiritual leader Padrinho Sebastiao.  This experience, which included 3 years of celebacy, had a profound influence on her life and art, enabling her to meet her Divine Self and have a kundalini awakening. For a few years she also had a chance to live in the USA where she was able to exhibit her work, as well as teach with Alex Grey and Pablo Amaringo, helping art students on their path towards intentional artistic evolution. Currently living in Rio de Janeiro, her avid art is still actively evolving as she continues to paint, draw and teach, always seeking new opportunities to exhibit, distribute and promote her work. Her holy mission is to create a foundation with an institute, gallery and museum of art, science and religion. This sacred site can be an international pilgrimage point and place where struggling artists, particularly those from the third world, can engage in their artwork. With countless contributions of inspiration and insight, healing and hope, love and learning, Maria Isabela Hartz wonderful Work has a blessed life of its own and is destined to transform, heal and awaken people in the many ages to come.
- Delvin Solkinson

14.1.10

O avesso de "Avatar"


Um diálogo inusitado na saída de uma sessão de cinema: o maior sucesso de bilheteria dos últimos anos é um épico banal ou um novo marco ético? Ótimo texto de Arnaldo Bloch no Jornal "O Globo" de 10 de janeiro de 2010. Abaixo um pequeno trecho. Para ler na íntegra acesse aqui.

... — Acredite: esse filme é do 
bem. Você já foi à Amazônia? Já 
esteve no meio de índios? Já 
tomou o chá dos índios?

 
   — Eureka! Sabia que tinha 
bagulho no meio! 
   

     — Confesso que sou ligado 
numa mentalidade indígena. 
Não interessa se as suas 
divindades existem ou não: eles 
creem na natureza, como, aliás, 
também as culturas africanas, e 
essa reverência é salutar, e o 
conhecimento que eles tentam 
preservar tem um valor que só 
agora começa a ser 
reconhecido. Não são só os 
índios, mas qualquer 
grupamento cujos valores são 
destruídos. Se lembra da tal da 
lenda esquecida de que quando 
o mar recua ele depois volta 
com violência? Se ela tivesse se 
disseminado nas escolas do 
sudeste asiático, muita gente 
em vez de ficar imóvel, pasma, 
quando o mar recuou, teria se 
salvado, e não apenas aquelas 
da tal aldeia isolada onde este 
conhecimento permanecia. A 
tal da corrente sináptica da 
árvore das almas dos 
aborígines do filme é 
exatamente isso: a informação 
compartilhada entre as 
culturas, e não sua destruição 
em troca de dinheiro e poder, 
produz uma cadeia de 
conhecimento que leva a uma 
evolução em progressão 
geométrica. Essa evolução vem 
sendo refreada pelas 
contradições da natureza 
humana. Curiosamente, a 
palavra da moda, na internet, é 
compartilhar! Tou te dizendo, 
rapaz, a salvação virá daí, 
quando as sociedades tribais 
que se multipolarizam na rede 
se organizarem, como na 
revolta que acontece no 
planeta Pandora. A revolução 
final nascerá da canalização da 
informação e do conhecimento 
perdidos para a harmonia 
ecossocial...

Leia todo o texto aqui.