20.3.09

Yawanawá: De Volta à Aldeia Sagrada

"Agora começamos uma nova era", afirma o cacique da aldeia localizada no alto do Rio Gregório.

Texto e fotos: Flávio Schneider

No local em que pela primeira vez viram um homem branco subir o barranco do rio Gregório, lá no alto, sob a liderança do cacique Biraci Brasil (Nixiwaka), os índios Yawanawá estão reconstruindo a aldeia sagrada, onde outrora habitava todo o ‘povo do queixada', sob a orientação de Antônio Luiz, o patriarca centenário e maior pajé.
Biraci Brasil vem recebendo orientações dos espíritos da floresta e está conduzindo diretamente os trabalhos. Os primeiros movimentos foram iniciados em 2005. Na margem esquerda estão sendo construídas as casas dos índios que irão habitar na aldeia enquanto na margem direita foi levantada uma oca, ligada por um trapiche à outra ampla casa, todas cobertas por palha de palmeiras, abundantes na região. Ali, Biraci inicia uma nova fase na vida da aldeia. A terra é abençoada e rica para quem vive na floresta. Muita caça, muito peixe, terra fértil e rica biodiversidade. O clima é agradável. À noite sempre faz frio. Nesta época, muita chuva.
Segundo Bira narrou, seu povo já teve o tempo em que vivia unido em uma só aldeia. Vieram então os caucheiros peruanos, depois os seringalistas brasileiros, com a tentativa de escravização material para obtenção da borracha. Houve a demarcação da terra, os grandes projetos econômicos com o nome Yawanawá, o início da recuperação da cultura, dos costumes e da espiritualidade. "Agora começa uma nova era", afirma o cacique.
A aldeia sagrada será um local onde os jovens irão aprender a andar na floresta, conhecer a mata, suas ervas, os hábitos dos animais, os rios e seus afluentes. Grupo de alunos com seus professores irão à aldeia sagrada para aprender tudo isso e ainda a arte da cerâmica, as tradições, as brincadeiras, as comidas, etc. Biraci quer se embrenhar na mata com o povo, aproximá-lo cada vez mais da floresta e esquecer que, recentemente, muitos estavam se voltando para as cidades, iludidos. É o caso de alguns índios hoje estudantes universitários - 11 deles estão fazendo faculdade em Rio Branco e Tarauacá - mas o destino é retornar à aldeia e aplicar os conhecimentos adquiridos.
E, finalmente, o mais importante: a aldeia sagrada será um local, de busca espiritual, um centro de formação espiritual onde será permitida a entrada de pessoas de todo o planeta, de grupos de todas as linhas espiritualistas, que venham se apresentar e conhecer a forma Yawanawá de espiritualidade. Segundo Biraci, lhe interessa hoje apenas pequenos projetos que tragam o bem estar de todos que estiverem na aldeia sagrada e os que lá habitam.
Conta Biraci que, antes de morrer, Antônio Luiz disse para seu povo que nunca deveria sair daquele local, que nunca se separassem e nunca parassem de beber Uni, a bebida sagrada. O corpo de Antônio Luiz está enterrado na aldeia sagrada, mas em local muito reservado aonde só vai quem é convidado.
Antônio Luiz também deixou dito que sempre que bebessem Uni, os índios fossem até seu túmulo e deixassem um pote de Uni, para ele beber também. Deveriam deixar também um pouco de rapé de tabaco, planta utilizada amplamente em processos de cura e também na busca espiritual entre os Yawanawá.
O povo Yawanawá fez exatamente o contrário: abandonou a aldeia mãe, surgiram várias aldeiazinhas, embora a primeira delas, a Nova Esperança, seja de longe a mais importante e com maior número de moradores, mais da metade do total. O Uni praticamente foi banido. Também proibiram a língua nativa. Em 1982, Bira começou a construção da aldeia Nova Esperança. Em 2005, começaram os trabalhos na aldeia sagrada e no dia 22 de fevereiro de 2009, uma data histórica, o retorno do Uni e do Mariri ao terreiro da aldeia sagrada pela primeira vez depois de 27 anos.

A aldeia Nova Esperança foi a primeira surgida com a consolidação da terra demarcada. Hoje é dirigida por Nani, enquanto Bira está empenhado na construção da aldeia. Nani é o braço direito de Bira e o segundo cacique geral. Bira conta ainda, para guiar o povo, com um grupo de guerreiros mais adiantados na vida espiritual, sua companheira Putany, primeira mulher pajé do povo Yawanawá, o velho pajé Yawa, Kuni, Tikã e o Manoel, fabricante do rapé sagrado, fiel companheiro e mais um grupo de leais guerreiros.
Nesta aldeia é realizado o Festival Yawa e ela continuará sendo o centro das decisões políticas, econômicas sociais e culturais. Ela é a base ainda hoje da implantação da aldeia sagrada, que está situada cerca de uma hora acima de bote (motor de popa). Quando há um mutirão, a Nova Esperança fica quase deserta O trabalho é intenso e são mais de 300 índios envolvidos. Foi feito um grande mutirão na aldeia sagrada, mas uma enorme alagação acontecida em janeiro fez com que os índios perdessem o arroz. Esperavam colher seis toneladas e colheram apenas uma. Mas, imediatamente plantaram no local cinco mil pés de banana. Biraci já está fazendo o planejamento para um grande jardim de árvores frutíferas nas duas margens.


O Povo Yawanawá é tradicionalmente um povo mais caçador que pescador e em suas terras sempre há fartura de proteína animal. Dentro de uma tradição de total respeito pela natureza, seus caçadores fazem caçadas coletivas ou individuais e suas caças preferidas são a anta, o veado, o porquinho (caititu) e o queixada. E também algumas aves, muito apreciadas pelas mulheres índias, como as nambus, cojubins e outras. O milho é muito apreciado. A macaxeira reina soberana, cozida, assada, em forma de farinha, como caiçuma está presente no dia a dia. Na aldeia sagrada não entra televisão. Bebida alcoólica - nem pensar - é expressamente proibida, isto tudo já a partir da aldeia Nova Esperança. Muitas dessas decisões são tomadas na oca da aldeia em conversas logo no início do dia.
Uni histórico
No dia 22 de fevereiro, um domingo, o cacique pajé Bira fez o primeiro trabalho com Uni na aldeia sagrada, depois de ter sido interrompido por 27 anos. Ele convidou 27 pessoas, a maior parte de extrativistas e agricultores da região de Rodrigues Alves e do Rio Croa, todos daimistas, quatro estrangeiros, estudantes de várias linhas da bebida Ayahuasca, Emílio Dia (daimista paulista), tendo sido a logística da viagem da comitiva coordenada pelo Centro de Estudos da Ayahuasca, Flor de Jurema, centro daimista do Rio Croa, que tem em sua direção Davi Nunes de Paula e Fabiana de Paula e é dirigido espiritualmente pela cabocla Jurema. Quanto a mim, fui convidado em sonho pelo Bira para ir à terra Yawanawá e finalmente a oportunidade surgiu. A caravana permaneceu na aldeia sagrada durante sete dias.
Unidaime ou Daimeuni?
Biraci abriu a porta da aldeia sagrada para o primeiro grupo espiritualista dentro do centro de formação espiritual e o escolhido foi a Doutrina do Santo Daime, aos quais se juntou o grupo de ayahuasqueiros da Escandinávia e permitiu um feitio do Daime, nos moldes dos ensinamentos do Mestre Irineu. O grupo visitante de daimistas e ayahuasqueiros, com a participação dos índios, construiu uma casinha de feitio, com fornalha de três bocas. O local fica situado a cerca de um quilômetro da aldeia sagrada em local no meio da floresta perto do Igarapé Caxinauá. O local também servirá de apoio ao Festival Yawa.
É importante citar, o Jagube (cipó) e a folha Rainha utilizados no primeiro feitio de Daime na terra Yawanawa foi levado dos jardins do rio Croa, cuja comunidade é a maior reflorestadora de Jagube e Rainha no vale do Juruá, com milhares de pés das duas plantas. O acordo firmado inclui também a cessão de mudas do Croa de suas variedades e vice-versa.


Para o cacique Biraci é este tipo de convívio que ele quer daqui para frente. Amigos que o ajudem a reconstruir a aldeia sagrada, junto com seu povo. Bira ficou especialmente satisfeito, pois é seu desejo que cada vez mais os Yawanawá se voltem para a tradição do Uni e durante os dias de feitio, até alguns índios que nunca tinham bebido Uni, tomaram Daime e gostaram. No momento não resta dúvidas na aldeia de que o povo do Daime é irmão, quase como se fosse outro povo indígena e, aliás, o sangue índio corre nas veias da maioria deles. Segundo Bira não interessa receber na aldeia pessoas com preocupações financeiras ou políticas, isto fica para a Nova Esperança. "Na aldeia sagrada só queremos quem nos alimente o espírito. Aqui é nossa aldeia mãe. Olha a floresta. Debaixo dela habita um povo. Aqui andamos e vivemos como o criador nos criou. Tudo começou aqui" - disse.
A linha Yawanawá
Antonio Luiz tinha em sua língua original oito nomes. É costume Yawanawá chamar as pessoas por vários nomes, como forma de homenagear os mais diversos parentes seja a mãe, o pai, os tios, as tias, etc. Segundo alguns cálculos, ele viveu 116 anos e dirigiu o povo por 107 anos. Como chefe espiritual recebia cinco guias. Biraci está trabalhando para receber os mesmos guias, um pedido especial que fez ao mestre espiritual e já vem sendo orientado por eles. O pajé mais velho da aldeia é o Yawarani, chamado simplesmente por Yawá. É pajé desde os 50 anos e hoje tem cerca de 90. Ele canta também, mas suas especialidades são a reza e os trabalhos com as plantas medicinais. É uma relíquia viva e suas rezas na língua nativa, acompanhados de sopros, são requisitadas por todos. Também recebe duas entidades. Outro pajé cantador, Tatá, mora numa aldeia do baixo rio e não participou das atividades.
Muitos dos cânticos tinham se perdido e o cacique Bira é o canal onde eles vêm sendo resgatados. No ano 2000 recebeu o cântico ‘Kanarô txereeteintê', durante trabalho com Uni, ocasião em que o próprioYawa chorou de emoção. É um hino à criação, fala da arara amarela (Canindé), o pássaro que voa mais alto da espécie, sai de casa e voa para comer em outros rios, levando a mensagem de sua existência e volta para dormir em casa. Para Biraci o hino é também o símbolo da nova era em que o povo está entrando e simboliza as boas vindas a todas as manifestações de Deus no planeta Terra. Um grande presente no mariri do Uni para um convidado é escutar o hino do Kanarô e ver inserido nele seu nome, como um chamado de boas vindas.
O juramento do Muká
O terreiro sagrado do Muká é um lugar especial dentro da aldeia sagrada. Lá existe uma planta denominada Rarê Muká, a mais sagrada dentro da cultura Yawanawá. É uma planta simples, rasteira e muito rara. É também um pajé, simbolizado materialmente pela planta. Ela não é cultivada. Surge praticamente somente no terreiro sagrado e é quem cuida da folha Kãnikauá. O terreiro sagrado serve como retiro espiritual para formação de pajés, para dietas como a da caiçuma, do jenipapo e para fazer o ‘Juramento do Muká' ou Juramento do Rarê', o ato mais sagrado da cultura Yawanawá. Dez índios Yawanawá já fizeram o juramento na fase moderna. O juramento tem geralmente uma finalidade específica, como por exemplo, tornar-se um curador com plantas. O Juramento do Muká é o último recurso para cura de doenças difíceis. Quando Yawá iniciou a dieta, convidou alguns estudantes de pajelança para entrar com ele. Quatro se habilitaram, mas, na hora, três desistiram por acharem que ainda não era o momento e apenas o índio Nãinawa, que trabalha como enfermeiro da Funasa há 13 anos, topou e já está há um mês em dieta. Outro detalhe importante é que os demais índios cuidam da família daquele que está na dieta do Muká. Não deixam faltar nada para sua esposa e filhos, para que o estudante possa se dedicar integralmente à sua dieta.
Nãinawa é um índio especial. Faz uma dieta para se curar de uma enfermidade e para alcançar conhecimento de plantas medicinais, e tem como professor o velho Yawá. Como enfermeiro da Funasa vai incluir no seu trabalho diário o conhecimento adquirido e já está se tornando um importante aprendiz de pajé, confeccionador da lança sagrada da cultura Yawanawá (mustanti pastí) e rezador de grande eficiência. No terreiro sagrado também está plantado o Uni (cipó) e já existem vários canteiros de folhas Rainha.

Os estrangeiros participantes desta jornada têm, todos, formação espiritual. Il Jan de Ghier nasceu na Holanda e mora na Noruega. Faz arte moderna, constrói casas com materiais recicláveis, faz exposições de esculturas na Escandinávia e dá palestras em toda Europa. Dirige com a esposa um círculo de Ayahuasca denominado Estrela do Norte, no Norte da Noruega. Participou intensamente de todas as atividades com Uni, Daime, rapé, pinturas com jenipapo e atividades na floresta.
Joana Hietasola nasceu na Finlândia e mora atualmente na Suécia. É professora de Ioga na tradição Saeraswati, uma das doze principais tradições do Hinduísmo. Para ela, o Daime e o Ioga se completam. Também participa de grupos de estudos de Ayahuasca na Europa.
Bjorn Mattsson nasceu na Suécia onde sempre morou. Foi diretor por 25 anos de uma indústria de panificação, mas abandonou tudo pela alternativa espiritual. Há 15 anos tem formação Sufi e trabalha com shamanismo de índios da América do Norte: os Blackfeet que habitam o Canadá e Norte dos EUA e o povo Hopi que vive no Novo México, Sul dos EUA. Participa de círculos de Ayahuasca em toda a Europa e possui uma pequena reserva florestal na Suécia, denominada ‘Santuário da Floresta'.
Maarit Bredsen nasceu e vive em Oslo, a capital da Noruega, trabalhando como psiquiatra em hospital. É estudante de várias linhas de shamanismo europeu e sul americano já tendo participado de pajelanças com os índios Kaxinawá.

Serviços

A terra Indígena Yawanawá está localizada no alto rio Gregório, município de Tarauacá, com acesso a partir da BR 364 e viagem de barco de pequeno porte.
A visitação turística vem sendo estruturada com assessoria do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Esporte, Turismo e Lazer (SETUL), cujo produto turístico está inserido no roteiro Caminhos das Aldeias e da Biodiversidade.
As visitas ocorrem mediante agendamento de pequenos grupos em alguns períodos do ano e durante o Festival Yawa, que ocorre no mês de outubro. Os turistas firmam contrato de responsabilidade ética em relação à imagem do povo Yawanawá, seus kenês (desenhos sagrados), música, dança e demais costumes.
A alimentação fornecida ao visitante é a regional, com base de arroz, feijão, farinha, macaxeira, banana, galinha e pato, não compondo o cardápio pratos originários elaborados da caça e pesca para não causar impacto na fauna e em respeito à legislação ambiental e indígena.
A partir de contrato firmado com a Organização Yawanawá, cuja receita decorrente é direcionada em favor de toda a comunidade, a operação turística é realizada pela empresa Maanaim Amazônia Eventos & Turismo Sustentável (www.maanaim-amazonia.com), e-mail: contato@maanaim-amazonia.com Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , telefones (68) 3223-3232 ou (68) 9971-3232.
http://www.agencia.ac.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7680&Itemid=26



19.3.09

Santo Daime agora é livre nos Estados Unidos

Decisão judicial no estado do Oregon reconhece o direito de liberdade religiosa para o Santo Daime.
Veja aqui

24.2.09

Marianne Stokes
"Você tem que ser um ser humano inteiro, com dúvidas, respostas, medos, certezas e incertezas, sabendo que a verdade é uma construção coletiva. Você se apropria da sua verdade, com a qual se identifica, mas é um processo coletivo, então não pode se colocar numa perspectiva de que você é o líder que conduz. Às vezes liderar é ser conduzido também, ouvir as pessoas. Repartir a autoria das coisas com as outras pessoas. A política tem uma certa dificuldade: parece que você só se constitui desconstituindo o outro, e é uma contradição muito grande, porque na vida, tudo se constitui na sustentação do outro, do olhar do outro, do acolhimento do outro e ninguém se basta em si mesmo, ninguém á auto-suficiente do ponto de vista econômico, social e muito menos do ponto de vista emocional." Marina Silva

16.2.09

Patrimônio Psicodélico

Matéria publicada na revista Rolling Stones de fevereiro/2009

Por Maurício Monteiro Filho Ilustração Índio San

A luta dos cultos da ayahuasca, o popular Santo Daime, para tornar o chá, seus rituais e crenças patrimônios imateriais da cultura brasileira
"Você sabe o que vai te acontecer?" A voz vinha direto da noite amazônica, meticulosamente vestida de calças pretas, camisa branca e gravata preta. Olhando ao redor, vendo a floresta espessar-se em céu, uma lua maciça georreferenciando nossos passos em direção à única fonte de luz emanando na Terra naquela hora, só conseguia pensar que o que tivesse que acontecer já tinha começado a acontecer fazia algum tempo. E era forte o suficiente para ter me levado até ali, a comunidade daimista de Vila Fortaleza, a 100 quilômetros de Rio Branco, no Acre, às margens do rio Xipamano, fronteira com a Bolívia, caminhando em meio a alguns rostos beatificamente serenos, emoldurados pelos colarinhos de suas camisas brancas impecáveis, sem a mínima idéia do que responder à noite.

Cada avanço em direção à igreja, um pouco mais adiante, nos botava em compasso com um número crescente de brasileiros - e cada vez mais estrangeiros -, com Burroughs e depois Ginsberg, com padrinhos seguidores do Padrinho Supremo, com a melodia das portas da percepção se abrindo aos altares da alma. Seguíamos os passos de linhagens de xamãs e pajés que começaram a escrever essa história milhares de anos atrás em cada um dos países cobertos pela Floresta Amazônica, onde crescem lado a lado o cipó Banisteriopsis caapi e o arbusto Psychotria viridis. A bebida resultante do cozimento das duas plantas juntas, em rituais mais ou menos artesanais e peculiares a cada região, resulta num líquido de cor terrosa e gosto amargo chamado ayahuasca. No Brasil, o chá se notabilizou por seu uso religioso como sacramento em igrejas ou irmandades. Agora, os usuários do chá querem transformar os rituais, o chá e a cultura em torno do consumo religioso em patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Pisar o solo acreano em busca dos porquês deste tombamento cultural significa também fincar o pé nos estratos mais profundos das tradições ayahuasqueiras. O estado é o berço de ritos ancestrais do chá. Não muito distante de onde estamos, nos seringais da cidade de Brasiléia, o maranhense Raimundo Irineu Serra recebeu as visões que incorporariam uma doutrina cristã a rituais indígenas imemoriais e transformariam a ayahuasca em Santo Daime. Apesar das diversas denominações assumidas pela ayahuasca no país, todas as vertentes religiosas que empregam o chá em seus cultos reconhecem o Irineu Serra, ou Mestre Irineu, como o fundador da primeira corrente brasileira. A própria história de como ele - nascido num 15 de dezembro, como Chico Mendes - teve seu contato inaugural com o Daime, um verdadeiro quebra-cabeça de tradição oral entrecortada, já é um dos legados culturais da ayahuasca no país. Relatos das primeiras experiências de Mestre Irineu com as plantas de poder envolvem gritar pelo demônio - e receber visões de cruzes em retorno -, e luas cheias habitadas por mulheres de nome Clara. Hoje, nesta noite de lua cheia, a poucos quilômetros dali, é minha vez de ter a miração, como é chamada a resultante na consciência da ação do chá. Fala-se em estar preparado ou em ser merecedor para recebê-la. Não sei se sou qualquer uma das duas coisas, mas é certo que o Acre e o poder das florestas começavam a confirmar, em mim, sua reputação.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 29, fevereiro/2009

http://www.rollingstone.com.br/edicoes/29/textos/3620/

12.2.09

A Árvore das Ciências


Ramon Llul (1232-1316) filósodo maiorquino que criara os primórdios de uma lógica que em um futuro distante irá fundamentar a informática. A idéia de organizar todo o conhecimento humano em uma única estrutura , o que ele chamava de árvore das ciências, que iria desaguar na constituição da própria ciência, nos enciclopedistas e na internet.

"Deitado em meu leito e pensando, fui lembrando como o mundo encontra-se em estado de tormento por privação da verdadeira intenção, ausente do entendimento humano por falta da vontade ordenada de lembrar e entender. E como poucos são os homens que estão em bom estado comparados àqueles que atormentam o mundo, que não tem em suas obras a verdadeira intenção, é a mim muito temível a falta que existe no mundo, e temo que meu filho, que a natureza me faz amar e que recentemente veio ao mundo, tenha falta dessa intenção. Por isso componho esse livro para que meu filho saiba conhecer essa intenção e através desse conhecimento, sua vontade venha a desejar amar, servir e mostrar a todos." Do Livro das Intenções, Ramon LLul

2.2.09

Santo Daime tem espaço na tenda interreligiosa do FSM

Foto: Eunice Pinto
Os adeptos do Santo Daime demonstraram o seu trabalho espiritual na tenda da Interreligiosidade no território do Fórum Social Mundial.
Veja mais aqui

12.1.09

Um Rei e uma Rainha: A Bebida Sagrada

Um novo livro acaba de sair da fornalha.
História de Maria Cristina de Moraes, com a participação de Ana Carolina de Carvalho e ilustrações feitas por crianças.



O livro "Um Rei e uma Rainha: A Bebida Sagrada", conta de forma
imaginativa a origem da Bebida Sagrada conhecida como Ayahuasca (que significa
Cipó das Almas), Santo Daime...

Jovens Documentaristas - Serra do Papagaio, MG

Vídeo resumo da oficina realizada pelo Instituto Futuro Educação para a Fundação Matutu, parte do projeto PDA - Fortalecimento da Gestão Integrada do Parque Estadual da Serra do Papagaio.
Dirigida à jovens das comunidades do Vale do Matutu/Aiuruoca e Campo Redondo/Itamonte, contou com a participação de arte-educadores e agentes comunitários de comunidades situadas no entorno do parque.
O objetivo foi possibilitar aos participantes iniciar a documentação áudio-visual das ações junto às comunidades locais e estimular a formação de grupos e redes de jovens comunicadores.
Aiuruoca/MG, 18 a 20 de Julho de 2008.

8.12.08

A New Horizon


by Lou gold - Read more

Lançamento em Campinas


Michael Ende, diretor do filme O Vinho das Almas (foto de cima) e Elisa, do Espaço Céu Aberto (foto abaixo)

Ocorreu dia 05 de dezembro o lançamento triplo dos livros “Drogas e cultura: novas perspectivas” (Edufba 2008), “Religiões ayahuasqueiras: um balanço bibliográfico” (Mercado de Letras 2008), e do filme “O Vinho das Almas”, no espaço Céu Aberto, em Campinas (SP). Fazia agradabilíssimo dia de sol típico das calmas paragens de Barão Geraldo. O evento começou às seis da tarde e durou até a meia-noite.

O encontro contou com a presença de cerca de 60 pessoas, uma palestra por parte das antropólogas Bia Labate e Isabel de Rose e a exibição do filme, acompanhado de apresentação do cineasta Michael Ende, alemão radicado no Rio de Janeiro. O filme foi muito bem recebido pelo público.

Luiz Fernando Milanez, presidente da Comissão Científica do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV), órgão especialmente voltado para atender pesquisadores interessados em promover estudos sobre a instituição, prestigiou o evento com a sua presença, ao lado de outras autoridades da UDV. Também compareceram Cláudio Leme, ex-dirigente do ponto daimista (do Cefluris) campineiro Divina Estrela, professores da Unicamp, estudantes, terapeutas, artistas e outros.

Isabel de Rose, co-autora do livro Religiões ayahuasqueiras: um balanço bibliográfico

3.12.08

Marvellous Ana Pomar!



Ana Pomar, is a portuguese woman with plenty of marvellous creations! Thanks Ana!








A portuguesa Ana Pomar é pura criatividade e seu universo é riquíssimo, valeu Ana!!

29.10.08

Documentário "O Vinho das Almas"


Trailer - O filme "O Vinho das Almas, uma peregrinação ao coração do Santo Daime, na floresta amazônica" acompanha seis estrangeiros em suas andanças em busca de cura, auto-conhecimento e experiências místicas. Eles embarcam numa peregrinação à floresta amazônica, berço da religião do Santo Daime. Câmera Viva,2008 - 57 minutos. Um filme de Michael Ende, edição de Luis Eduardo Pomar e consultoria de Bia Labate.