Odilon Redon
18.11.09
“U.S. and China announce “positive, cooperative and comprehensive” plan for collaboration on clean energy and climate change”
17.11.09
Butterfly of Amazonia
Pablo Amaringo 1943 - 2009

No dia 16 de novembro de 2009, um dos maiores expoentes da arte visionária, o peruano Pablo Amaringo, passou para a outra dimensão. Pablo nasceu em 1943 em Puerto Libertad, na Amazônia peruana. Foi com 10 anos que pela primeira vez tomou a ayahuasca. Um grave problema de saúde levou Pablo a se tratar com a ayahuasca, se tornando então um conhecido curandeiro. Em 1977, Pablo abandonou sua vocação de xamã e se tornou artista e instrutor da sua Escola Usko-Ayar, aonde ele dava aulas sem cobrar. Pablo Amaringo pintou e descreveu numerosas visões da ayahuasca, aonde algumas aparecem em seu livro Ayahuasca Visions: The Religious Iconography of a Peruvian Shaman. Até a sua morte, ele continuava pintando e documentando a flora e a fauna do Peru.
14.11.09
A Arte Visionária

Pablo Amaringo 1943 - 2009
Postado por Antropogenia
A arte visionária, assim como qualquer forma de arte, é uma tentativa de conhecimento da realidade. Como Lévi-Strauss diz, todo pensamento se baseia no desejo de compreender o real, e o pensamento nativo (no caso Shipibo-Conibo) não se diferencia do contemporâneo. Se tratando de arte, ela é uma maneira que o homem encontrou de transformar a Natureza em cultura, explorando a relação entre significado (relacionado a estética pura) e significante (relacionado a estética transcendental).
No caso da arte visionária, sendo ela uma tentativa de presentificação do sagrado, esta relação entre significado e significante é espelhada na relação entre o mundo visível e o invisível, vivos e mortos, inconsciente e consciente; presente também em toda arte “primitiva”. É através desta relação que a arte visionária torna compreensível o desconhecido, é uma narrativa posterior ao ritual.
Como toquei no assunto da arte “primitiva”, e partindo de Sally Price, muitas das obras que observamos de arte visionária (como as de Pablo Amaringo) não poderiam ser vistas como “arte primitiva”, pois se conhece o autor e estas obras podem ser reproduzidas. Na arte “primitiva” a opinião do autor e seu nome não são conhecidos.
Não poderia esquecer de falar que a arte visionária parte da experiência do sublime provocada pela contemplação, no caso, a experiência estética provocada pelos enteógenos não é originada de uma percepção da forma que atribui um juízo à ela, e sim uma experiência de contemplação pura da forma da realidade.
Ao produzir estas obras, o artista oferece um modelo reduzido da realidade, tornando-a compreensível e transmitindo prazer nesta contemplação. Também devemos observar que as obras de arte visionária que possuem uma gama de detalhes enquadram-se como uma percepção imaginativa, que é quando há diferentes elementos observados através da percepção oferecendo um complexo modelo de uma realidade que esta no campo do invisível. O contrário, que se enquadra como imaginação perceptiva, é quando a obra não oferece muitos detalhes, mas pelos poucos que ela tem, nos possibilita imaginar um objeto de maior complexidade.
Estas são umas características gerais da arte visionária, mas toda e qualquer obra esta diretamente dependente das influências culturais que o artista tem. Ela faz uma representação do universo próprio que o artista esta inserindo, presentificando os elementos do seu inconsciente. Quando observamos uma obra que presentifica uma divindade egípcia ou uma anaconda, não devemos vê-los como seres que de fato existem no campo astral, mas sim como arquétipos determinados no tempo e no espaço culturalmente compreendidos
7.11.09
5.11.09
Quem Apoia Marina
Gilberto Gil, Caetano veloso, Maria Betânia, Al Gore, Frei Betto, Heloísa Helena, Kaká Werá Jacupe, Crstóvam Buarque entre muitos outros também já declararam publicamente seu apoio a Marina Silva Presidente.
3.11.09
NÓS QUE AMAMOS AS PERERECAS
Taquiprati – Diário do Amazonas
José R. Bessa Freire – 03/10/2009
Escrevo de Rio Branco. Vim ministrar a conferência de abertura do seminário “A Historiografia Amazônica em Debate” organizado pelo Grupo de Pesquisa Gaia da Universidade Federal do Acre (UFAC). Aqui tenho uma penca de ex-alunos. Alguns são índios: Isaac Ashaninka, Norberto Kaxinawá, Adaizo Yawanawá. Outros não. É o caso do atual governador do Acre Binho Marques e da senadora Marina Silva. Dei aula para ambos, em 1986, na Pós-graduação de História Social e Econômica da Amazônia.
- “Qual dos dois foi melhor aluno?” – me pergunta o entrevistador Alan Rick, num programa local da TV Gazeta. Demoro a responder. Estou desconcentrado. É que não consigo desviar os olhos do topete dele. Os fios de seus cabelos penteados para trás guardam distância simétrica um do outro e estão cimentados por um irremovível laquê, que nenhum tufão consegue despentear. Mistura de Elvis Presley com Silvio Santos. Enquanto penso que essa tribo da televisão é bizarra, a entrevista prossegue.
- Você vota na Marina para presidente da República? – ele quer saber.
Lembrei, então, que um amigo antropólogo de São Paulo me fez a mesma pergunta, só que conjugando um novo verbo: - “Você ‘marinou’?”. Na realidade, ‘marinei’. Por isso, toma cuidado com o que eu escrevo, leitor (a). Esse que vos fala não é um locutor ‘imparcial’, mas alguém que vestiu a camisa ‘Marina presidente’. Por quê? Ora, por causa das pererecas.
Motel de perereca
Lá, no Rio, em 1965, os biólogos localizaram aPhysalaemus soaresi - uma perereca de 2 cm que não existe em nenhum outro lugar do planeta, só no brejo da reserva da Floresta Nacional, próximo à rodovia Presidente Dutra. Acontece que máquinas gigantescas, tratores, caminhões e escavadeiras invadiram o brejo para construir o Arco Metropolitano, uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), orçada em 1 bilhão de reais.
O Arco, que vai permitir chegar ao Porto de Itaguaí através de 80 km de asfalto, ameaça extinguir essa espécie rara da família Leptodactylidae, uma família humilde, mas honrada, que está para o mundo dos batráquios, assim como a família Silva está para os brasileiros. Os operários da obra deram-lhe o nome de ‘Norminha’, personagem fogosa da Dira Paes na telenovela “Caminho das Índias”. Norminha Leptodactylidae.
- “Se não parar a obra, a família inteirinha desaparece do mapa” - alertaram os administradores da floresta. Mas os engenheiros da Secretaria Estadual de Obras retrucaram: - “Então, leva a perereca pra outro lugar, porque o PAC não pode parar”. O vice-governador do Rio, Luiz Pezão, ironizou com uma provocação boçalóide: “Se é para não atrapalhar o namoro de perereca, então vamos fechar toda a via Dutra”.
Foi quando entrou em campo Carlos Minc, o cupido das pererecas, que discordou. Na qualidade de ministro do Meio Ambiente, propôs a construção de uma espécie de motel, onde elas possam se reproduzir, o que desagradou a gregos e baianos. Uns acham que a proposta do Minc – erguer um muro com placas de metal separando o brejo do canteiro de obras – não é bem um motel, mas um ‘pererecaduto’, nocivo aos batráquios. Outros crêem que não vale a pena encarecer o custo da obra por motivo que consideram fútil.
A situação se complicou ainda mais, quando o biólogo Sérgio Potsch, responsável pelo laboratório de répteis e anfíbios da UFRJ e especialista em girinos, informou que o brejo abriga uma espécie rara de peixe – o Notholebias Minimus – que também não existe em nenhum outro lugar do mundo. O certo é que a obra do Arco Metropolitano foi paralisada, enquanto os técnicos discutem o que fazer.
O cu da formiga
Eis o que eu queria dizer: se não houvesse a possível candidatura de Marina da Silva, o discurso dominante seria o de Lula da Silva e ‘Norminha’ já estaria mortinha da silva. Que discurso é esse? Meses atrás, Lula debochou de uma perereca gaúcha, responsabilizando- a pelo atraso em mais de meio ano na construção de um viaduto da BR-101. Fez discurso similar em relação ao bagre, que pode ser prejudicado pela hidrelétrica do Rio Madeira. Agora, o papo mudou.
Bastou a presença da Marina no cenário político nacional para obrigar os demais candidatos e os poderes públicos a incorporarem as questões de sustentabilidade ambiental em seus discursos. Marina está convicta de que as necessidades da atual geração podem ser satisfeitas sem sacrificar as gerações futuras, sem saqueio ou predação. Isso é sustentabilidade.
É muita burrice eliminar uma espécie animal ou vegetal em troca de uma estrada ou de uma hidrelétrica, porque existem técnicas e saberes diversificados para construir obras, mas até hoje não foi inventada uma forma de recriar uma espécie que desapareceu. O grande problema ambiental é esse: a ignorância e a desinformação e não o desmatamento, a queimada, as estradas, que já são frutos da boçalidade.
Tem gente que acha um absurdo que uma “pererequinha de merda”, de dois cm, atrase uma obra de 1 bilhão de reais. Mas o poeta Manoel de Barros tem razão quando diz que “o cu de uma formiga é muito mais importante do que uma Usina Nuclear”, e que não precisou ler os teólogos e os sábios para chegar a Deus. “As formigas me mostraram Ele”, escreveu o poeta, doutor em formigologia. Para a vida verdadeira, o cu da formiga, a cabeça do bagre e a perereca são tão imprescindíveis quanto uma estrada.
Não importa o que Marina pensa sobre o aborto, nem suas convicções religiosas sobre a criação do mundo. O que importa é que, por causa dela, dona Dilma, seu Serra, seu Ciro e qualquer outro candidato vão ser obrigados a discutir seriamente a questão ambiental e a sustentabilidade. Marina sabe que estradas e hidrelétricas são necessárias, mas podem ser construídas sem destruir o planeta. Acena poeticamente para a utopia e mostra que o valor das coisas depende da capacidade que temos de nos encantar por elas.
Marina me representa, hoje, tão visceralmente quanto o Lula em eleições passadas. Simboliza a inteligência, a sensibilidade, o compromisso com os indefesos, os fracos, os pequenos, o planeta, amama pacha.. Por isso, marinei. Ela terá militantes entusiasmados ao seu lado, porque é capaz de empolgá-los, coisa que duvido dona Dilma fará. De-u-du-vê-i- vi-de-o-dó macaxeira mocotó! Foi mais ou menos isso que disse ao jornalista Altino Machado, caminhando ontem com ele pelas ruas de Rio Branco. Nós todos, que amamos as pererecas e a vida, marinamos.
Aos 100 anos, morre o antropólogo Claude Levi-Strauss
24.10.09
23.10.09
FEIRA SUSTENTÁVEL 2009
Entre os dias 30 de outubro e 01 de novembro, ocorrerá em Florianópolis (CentroSul) a Feira Catarinense da Agricultura Familiar, Economia Solidária, Pesca e Energias Renováveis. Agricultores familiares, assentados, organizações, movimentos sociais do campo, empreendimentos de economia solidária, consumidores, empresários, técnicos e pesquisadores, representantes dos
Órgãos públicos, autoridades e parlamentares do Estado de Santa Catarina. São 250 expositores, distribuídos em 150 estandes e feiras com cerca de 1000 participantes de todo o Estado de SC, além de palestrantes e debatedores convidados para eventos paralelos de debates para mostrar como a produção, a comercialização e o consumo tem a ver com o desenvolvimento sustentável. Uma extensa atividade cultural, com apresentações locais, regionais, estaduais e com shows nacionais faz parte da programação oficial que tem como objetivo promoção de produtos e tecnologias relacionados à agricultura familiar, da economia solidária e energias renováveis, além de ser um espaço de valorização da cultura regional catarinense.
"- Não se pode separar economia e ecologia, diz Jeffrey Sachs"
Elas nunca estiveram em categorias separadas”, afirmou Sachs, que presta consultoria a vários governos, durante uma conferência em Genebra, na Suíça.
Na palestra, promovida pela agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Sachs criticou o formato do atual processo de negociações sobre mudança climática.
Para ele, em vez de diplomatas, engenheiros e cientistas deveriam sentar-se à mesa para discutir.
“O problema das mudanças climáticas não é uma negociação de comércio. É simplesmente o problema mais complexo de engenharia, economia e social que a Humanidade jamais enfrentou”, afirmou o estudioso.
A pouco mais de dois meses do início da conferência de Copenhague que deve criar uma política de combate ao aquecimento global para o mundo a partir de 2012, o economista não poupou críticas às negociações - atualmente paradas em impasses.
"Bobagem"
“A questão sobre uma meta nacional ser obrigatória ou não é uma das questões menos interessantes. De que adianta ser obrigatória se você não é capaz de cumpri-la? É bobagem. Deveríamos estar discutindo o que podemos fazer, não o que obrigatório, o que podemos fazer agora, em cinco, dez anos.”
O economista fez um apelo por um esforço coordenado de especialistas para que se saiba o que pode ser feito para permitir desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida de milhões miseráveis, ao mesmo tempo em que se enfrenta problemas ambientais já “insustentáveis ressaltados pelas mudanças climáticas”.
Para abordar um problema tão complexo, em vez de discutir metas de emissões, Jeffrey Sachs afirma que a convenção da ONU para mudanças climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) deveria criar um corpo técnico que analisaria opções e custos para ações de curto prazo em cada país.
Em sua palestra, Sachs sugeriu uma nova parceria pública-privada para criar os grandes sistemas técnicos necessários.
“Podemos alcançar um crescimento econômico com impacto muito menor se pensarmos claramente, sistematicamente, em termos de sistemas, e baseados em objetivos globais.”
O economista americano criticou a falta de sustentabilidade não só na área de meio ambiente. Para ele o mundo atual é “socialmente insustentável”.
“A distância entre os ricos e os pobres está aumentando. Muitas das pessoas mais miseráveis do planeta estão morrendo por causa de sua pobreza, e se não morrem, sofrem e ficam cada vez mais para trás.”
Jeffrey Sachs concluiu que a mensagem da comunidade científica é de que o mundo está à beira de um futuro quadro potencialmente catastrófico, “Mais cedo ou mais tarde, cientistas vão nos dizer que essa área é inabitável.”
O economista afirmou ainda que então será “tarde demais”, porque mesmo que as emissões sejam cortadas a zero, o atual acúmulo de gases na atmosfera terá efeito durante um longo tempo.
“Estamos vivendo apenas a metade daquilo que já provocamos”, concluiu.
Fonte: BBC Brasil
17.10.09
16.10.09
15.10.09
11.10.09
O Tic Tac das tecnologias sustentáveis
Fundado na década de 80, o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) é um laboratório de experiências educacionais. A idéia fundadora era mexer em receitas prontas, em idéias estabelecidas no status quo. O modelo escolar tradicional não era suficiente para o que ele imaginava ser o verdadeiro sentido da Educação.
Os primeiros passos do CPCD foram questionar os elementos mais básicos da forma e estrutura de aprendizado. É possível ter uma escola sem muros, debaixo de um pé de manga? As “aulas” podem ser dadas em uma roda? É preciso que alguém ocupe o papel de professor?
Com origem na cidade de Curvelo, na região central de Minas Gerais, as iniciativas do CPCD logo se expandiram para outras cidades, estados e países. Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões com menores indicadores sociais do mundo, é onde tomam forma alguns dos projetos mais interessantes de Tião e sua equipe. “A cidade é exportadora de mão de obra, principalmente de corte de cana. A grande renda da região é o trabalho sazonal. O que gera problemas sociais e culturais dos mais variados. O projeto Arassussa quer construir um lugar sustentável que ofereça condições para que as pessoas não precisem buscar sustento em outros lugares. O corte de cana deve ser a última saída”, explica Tião.
As fabriquetas, um dos braços do CPCD, funcionam “como núcleos de produção de tecnologias populares, com características e funções comunitárias, que visam o fortalecimento da renda familiar.” Em cada uma delas jovens aprendem mais do que simplesmente executar um trabalho: aprendem a se envolver e a conquistar a auto-suficiência. Esses núcleos estão debaixo de um guarda-chuva maior, a Cooperativa Dedo de Gente, responsável por organizar e coordenar as ações. As áreas nas quais atuam são diversas: artesanato, moda, bambuzeria, produção de doces e geléias e outras.
Nas fabriquetas os jovens entram como aprendizes, depois tornam-se jornaleiros, até virar mestres. A partir daí eles caminham de forma independente e com autonomia para vender o serviço. A lógica que norteia o espírito das fabriquetas segue alguns princípios marxistas, sem constrangimento nenhum, de acordo com Tião: a cada um segundo a sua necessidade, a cada um segundo a sua capacidade.
A partir do momento em que elas estão consolidadas, cada um deve ganhar ao menos um salário mínimo por quatro horas de trabalho. Depois que há esse equilíbrio, aí o que vale é a capacidade e a vontade de ganhar mais. Há um processo para se obter a base de sustentação do grupo, que atualmente é composto por 100 jovens em todas as unidades: 50 em Curvelo e 50 em Araçuaí.
As ações do CPCD englobam ao todo milhares de jovens no interior de Minas Gerais e de São Paulo. Atualmente, as fabriquetas envolvem 72 jovens (29 em Araçuaí e 43 em Curvelo). Dentro desse universo, um dos projetos, do qual participam apenas 20 jovens, pode parecer pequeno, mas ganha relevância pelo desafio ao qual se propõe.
Fabricar softwares no Vale do Jequitinhonha
A Fabriqueta de Softwares surgiu de uma inquietação de Tião. “Eu tinha acabado de ler o livro O Mundo é Plano, e, conversando com Aerton Paiva, ele contou que teve um encontro com o diretor da IBM no Brasil, e que ficou sabendo que a empresa estava pensando em construir uma fábrica de software em campinas. Então eu perguntei ‘Por que Campinas?’ Campinas já tem a Unicamp e toda uma estrutura favorável. Quero ver você fazer isso no Vale do Jequitinhonha”. A provocação foi lançada: se os meninos de Araçuaí podem aprender a fazer artesanato, por que não podem aprender a fazer tecnologia? Foi a partir desse momento, com aquele “por que não?” na cabeça que Tião deu início à fabriqueta. Era a hora de superar a visão de que trabalho e renda só poderiam surgir de atividades tradicionais.
No fim de 2007, inserida dentro do projeto Arassussa (criado pela união de 15 instituições brasileiras, ligadas a fundação Avina), a Fabriqueta de Softwares foi criada com o mesmo objetivo das outras: inventar maneiras de manter os trabalhadores na cidade e impedir a evasão constante em função do corte de cana. Ou seja, para manter os jovens e adultos na cidade era preciso que fossem criadas novas atividades e novos mercados: uma economia solidária, sustentável, durável, emancipatória e permanente.
Os 20 jovens que integram o projeto começaram aprendendo o básico. Com o tempo foram aprofundando o nível de complexidade das linguagens de programação. Foram aos poucos se transformando em prestadores de serviço. Atualmente desenvolvem sites de projetos que existem em Araçuaí, como o Caminho das Águas, bancos de dados, sistema de monitoramento de ingressos do cinema da cidade e programas de monitoramento de gastos (as novidades podem ser acompanhadas no blog mantido pelos jovens: http://circulandoarassussa.blogspot.com/). São os chamados softwares de pequena complexidade. O objetivo é aumentar a complexidade e atender as demandas da cidade, um mercado ainda intacto.
A Índia é um exemplo de que o sonho não era impossível. Atualmente, o país é um dos maiores centros de Tecnologia da Informação do mundo e ocupa papel similar ao Brasil no cenário mundial. O país asiático, longe de ocupar um lugar favorável no ranking de IDH (127º), resolveu investir em uma atividade econômica de certa forma inusitada para suas condições. Foi a maneira que os indianos encontraram de romper a fronteira entre países industrializados e prestadores de serviços e os exportadores de bens primários.
Washington Rodrigues, um dos educadores do CPCD, afirma que o primeiro ano do projeto foi de exercício e aprendizagem tecnológica. Ele afirma que a metodologia do grupo segue os seguintes passos: "Dividir tarefas, fazer um planejamento conjunto, discutir como aconteceu - e está acontecendo a inclusão digital do grupo, participar de atividades que estimulam a solidariedade, trabalhar em grupo e valorizar a cultura local, para que possam ser profissionais com uma visão mais ampla de seu papel na comunidade".
A empresa paulistana Giral, especializada em gestão de projetos de sustentabilidade, foi uma das parceiras no desenvolvimento e instalação da fabriqueta. “Como próximos passos, os jovens irão estagiar em diversos projetos sociais da cidade, criando soluções tecnológicas para os mesmos. Continuando a formação, irão adentrar o mundo dos jogos eletrônicos, com o objetivo de desenvolver ferramentas educativas. A base desse trabalho são os Bornais de Jogos desenvolvidos pelos educadores do CPCD para trabalhar temas escolares como matemática e linguagem, além de questões importantes como convivência, sexualidade e cultura de paz”, afirma Carol Rolim, uma das coordenadoras do Giral
A internet como ferramenta de transformação
Apesar de já ter chegado longe (em 2007 ganhou o prêmio Empreendedor Social 2007 ), Tião sabe que é sempre bom relativizar e desconfiar das coisas. O olhar matuto. O olhar do antropólogo.
Para ele, a Internet é apenas mais uma ferramenta. Ela pode ser usada para o bem ou para o mal. Nessa área, ele segue a tradição: sem o real, o virtual não existe. “O fato de ter acesso não torna as pessoas melhores. Uma vez, numa roda de conversa com alguns jovens, uma adolescente disse que participava de 250 comunidades no orkut. E aí eu perguntei, 'e no seu bairro, você participa de algum grupo? Da escola de samba? Da associação de moradores? Do time de futebol?'”
E foi por isso que Tião passou a utilizar a teoria do TIC TAC. Para ele, os jovens hoje estão cheios de TICs (Tecnologia de Informação e Comunicação), mas sem os TACs (Tecnologia de Aprendizagem e Convivência) esse relógio não vai funcionar direito. Foi levando os tics e os tacs em conta, que a equipe do CPCD concluiu que Araçuaí precisava de algo além de uma simples Lan House ou um telecentro (TIC). "Bom, isso é o que se faz normalmente. Mas não queríamos isso", afirma. Era necessário mais do que o acesso, era preciso um envolvimento maior: gerar renda, perspectivas e criar um mercado. O projeto tinha que alargar o futuro dos meninos (TAC). Ao invés de criar uma Lan House, resolveram criar então uma fábrica de softwares.
Tião concorda que a internet traz no seu DNA a idéia de descentralizar e de agir independentemente. Quanto mais abertas forem as novas tecnologias, mais interessante será para os jovens. Ele cita o exemplo do autor indiano Sugata Mitra e do livro Um Furo na Parede (Tião assina a orelha da edição brasileira). “Quando você quebra muros, favorece relações mais horizontais. Isso gera uma série de possibilidades”, afirma.
Em vários aspectos Tião remonta personagens das páginas de Guimarães Rosa. E assim como o escritor mineiro ele gosta de inventar palavras. “Empodimento” é uma das suas preferidas. Ela surgiu da constante resposta que o educador dava aos jovens que ainda não eram certos da liberdade que tinham: “pode fazer isso, Tião?”. “Pode, sim. Pode tudo.”
>> Acesse mais informações: http://www.fabriquetadesoftware.com.br/
tags: Araçuaí MG cultura-e-sociedade computador internet inclusao-digital fabriqueta vale-do-jequitinhonha aracuai tiao-rocha cpcd pobreza comunidade sustentabilidade sustentavel digital pedagogia jovens
Por Sergio Rosa
10.10.09
Marina recebe prêmio internacional por defender meio ambiente
O prêmio considera ações e iniciativas em três eixos: mudança climática, preservação da biodiversidade e acesso à água, além da luta contra a desertificação.
A senadora vai receber 40 mil euros, além da homenagem com o troféu, que será entregue pelo Príncipe Albert II.
É o quinto prêmio que a senadora recebe desde 2008, quando deixou o Ministério do Meio Ambiente por discordar de algumas diretrizes da política ambiental do governo. O mais recente foi em maio deste ano, o Prêmio Sofia 2009, concedido anualmente pela Fundação Sofia a pessoas e organizações que se destacam nas áreas ambientais e de desenvolvimento sustentável.
9.10.09
Primeira Mostra de Arte Indígena - Florianópolis
O principal objetivo desta Mostra é proporcionar um pequeno mergulho na diversidade do mundo ameríndio. Diferentes formas expressivas dos Wauja, do Xingu, dos Kadiwéu do Pantanal sul-matogrossense e dos Guarani do Morro dos Cavalos, serão apresentadas: máscaras, cerâmicas e cestarias, entre outras produções. Apenas três dos cerca de 232 povos (falantes de mais de 180 línguas e dialetos diferentes) que vivem no território brasileiro. Além deste acervo etnográfico, também serão exibidos filmes seguidos de debates com índígenas e/ou pesquisadores da área. Entre os debatedores, destacamos a presença de Mutua Mehinako, mestrando em antropologia pela UFRJ e integrante da Associação Kuikuru, que debaterá os filmes "Cheiro de Pequi" e "O dia em que a lua menstruou", vencedores de prêmios nacionais e internacionais. De 09 a 31 de Outubro de 2009 no Museu da Escola Catarinense/UDESC, Florianópolis - SC
Professoras / Especialistas
Carmen Susana Tornquist (UDESC)
Tania Welter (UDESC)
Marileia Maria da Silva (cinearth)
Lisiane Leczniescki (UFSC)
Barbara Arisi(UFSC)
Miguel Carid Naveira(UFPR)
Marcos Wenzel Messias (UFPR)
Alunos
Fabiane G. L. Marques (UDESC)
Fernando José Benetti (UDESC)
Indiara Nicoletti Ramos (UDESC)
Iara Maria Török Pomar (UDESC)
Marina Lis Wassmansdorf (UDESC)
Thiago Oliva (UDESC)
Luiza Bodenmuller (UDESC)
7.10.09
Environment and Development
Marina Silva
















